quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Fear The Walking Dead: Adam Davidson fala sobre os acontecimentos em “So Close, Yet So Far”


O diretor Adam Davidson achou que o episódio piloto da nova série não fosse agradar os fãs da série-mãe, afinal, os zumbis tomam de conta da série original do AMC, o que faz sentido porque o mundo já estava infestado por zumbis quando a série se iniciou. Mas, uma vez que Fear the Walking Dead acontece no momento em que a crise de zumbis começa, Davidson e os criadores da série Robert Kirkman e Dave Erickson fizeram a escolha consciente de tratar os mortos-vivos ainda como uma ameaça iminente e que não estão no centro da série. “Sei que isso é frustrante para algumas pessoas da audiência,” disse Davidson. “O que me intriga é tentar diminuir um pouco o ritmo e tentar mostrar os momentos em que o mundo está descobrindo aquilo. Ninguém sabe que não são mais pessoas ali – ainda são seres humanos. Se você matar um e a cura for descoberta amanhã, a polícia iria te prender.”

Fear the Walking Dead quebrou recordes de audiência quando o piloto foi ao ar na semana passada. E Davidson manteve o ritmo no segundo episódio (ele dirigiu os três primeiros episódios), ao mesmo passo em que deu aos famintos por zumbis o que eles queriam – uma morte de um personagem principal. A cena aparece na primeira parte do episódio, quando Madison (Kim Dickens) faz uma busca por suprimentos na escola onde trabalha – que havia sido fechada enquanto LA lidava com o surto do vírus misterioso que rapidamente se desenvolvia – e encontra seu amigo e colega de trabalho Art (Scott Lawrence). Infelizmente ele havia deixado de ser aquele homem paciente e gentil e se transformado em um monstro faminto por carne humana. Davidson falou sobre a feitura de tensa sequência e da cena da grande revolta do episódio.

Furor Escolar


Uma vez que a briga entre Madison e Art seria a primeira sequência significativa de humano x zumbis na série – sem contar que seria a primeira cena de ação com Dickens – o time criativo queria garantir que o momento ressoasse. Por isso eles escolheram o adorável Lawrence como zumbi em vez de um figurante anônimo. “Foi bem chato ver o Scott partir,” Davidson disse. “Mas essa era a intenção. O fato de ser alguém que ela conhece e se importa deu um peso emocional extra.”

O diretor disse que Dickens foi funda na cena e fez toda a ação por conta própria. “É um grande momento para Kim. Nós quisemos de verdade aumentar o suspense mostrando o quão perto ela ficaria dele, perto o suficiente para olhar nos olhos dele e ver que já não era mais ele ali.” E uma vez que Madison descobriu que a criatura já não era mais Art ela ainda teve que arranjar uma forma de matá-lo… o que não é uma tarefa fácil uma vez que o “tiro da morte” ainda não é popular entre os não infectados. “Não é fácil matar essas criaturas porque ela são recém transformados. E também Madison tinha deixado o pé-de-cabra na sala onde estava, por isso quando ela ver o extintor é puro instinto e ela sem pensar ataca Art com ele.”

É claro que enquanto filmou a cena Dickens usou um extintor de borracha para atacar seu amigo zumbi, mas quando ela entrou no set pela primeira vez ela treinou seus movimentos com um extintor de verdade. “Ela queria entender como sentiria aquilo em suas mãos, o peso e como faria para balançá-lo. Ela é muito boa nos mais diferentes níveis.”

A maioria das cenas escolares no episódio piloto foram filmadas dentro de uma escola real de ensino médio em LA, Woodrow Wilson High, onde o nativo de LA Davidson disse lembrar de ter jogado futebol americano durante seus anos no time do colégio. Mas a produção se mudou para Vancouver para o restante da temporada, onde a Killarney Secondary School substituiu a Wilson. Embora os espectadores provavelmente não notem a diferença na tela, Davidson disse que, nos bastidores, a equipe de Fear the Walking Dead se maravilhou com as diferenças entre os colégios nos EUA e no Canadá. “Nós levamos os canadenses para LA para mostrar a eles a escola que usamos no piloto,” ele lembrou. “Eles não conseguiam superar as barras nas janelas e as gaiolas de ferro em volta das máquinas de lanches. No Canadá, você pode comer tudo na lanchonete da escola. Nas escolas de LA você nem quer ir nas lanchonetes!”

Pânico nas Ruas


No momento em que os roteiristas estavam escrevendo o roteiro para o segundo episódio, o conflito entre polícia e manifestantes em Ferguson, Missouri estavam sendo noticiados na TV e nos jornais. Aqueles acontecimentos acabaram influenciando o roteiro e terminaram por mostrar a violência que entra em erupção quando as pessoas de LA se revoltam com a maneira com que a polícia da cidade brutalmente trata a ameaça zumbi. Lembre-se: uma vez que os zumbis são novos nesse universo, até onde os cidadãos sabem, esse é mais um exemplo do abuso de poder da polícia, e é por isso que eles começam aquela manifestação que rapidamente vira violenta. “LA é a cidade com histórico de agitações civis e brutalidade policial, especialmente com Rodney King e nos Tumultos de Watts,” Davidson explicou. “Por isso acho que isso estava bem forte nas mentes dos roteiristas.”

Enquanto Davidson foi capaz de organizar o cronograma de filmagem para que a maioria das cenas gravadas em locais externos fossem filmadas em LA, esse foi um caso em que eles tiveram que dobrar o tempo em Vancouver o máximo possível. Para complicar ainda mais, a revolta tinha que ser filmada no primeiro dia de produção no Canadá, em março desse ano. De início, Davidson não sabia ao certo se eles seriam capazes de encontrar uma vizinhança que fosse convincente o suficiente para se passar pela Cidade dos Anjos. Acima de tudo, ele queria evitar ter que usar um estúdio e um fundo verde para recriar o mundo exterior. “Enquanto pesquisávamos eu ficava olhando em volta e pensando: ‘Nada disso parece com LA. Como é que farei isso?'”

Eventualmente, a equipe se instalou em uma região no centro de Vancouver que transmitia uma leve semelhança com o centro de LA – a sequência foi filmada na Eveleigh Street e em seus arredores, bem como na West Pender Street – e figurantes foram contratados para interpretar os policiais e os revoltados. (Alguns convidados indesejados também apareceram: paparazzi capturaram de longe Dickens e outros atores que visitavam o set em seus dias de folga.) No geral, as filmagens duraram 10 horas sem nenhuma interrupção. Bem, exceto por uma. “Alguns policiais apareceram e estavam com barba,” Davidson afirmou rindo. “Eu falei, ‘Vocês precisam tirar isso! Nenhum policial em LA tem barba.'”

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