sábado, 12 de setembro de 2015

Elizabeth Rodriguez fala sobre como suas habilidades de enfermagem serão úteis no apocalipse zumbi


Depois de uma temporada em que mostrou as habilidades maternais não-tão-brilhantes-assim de Aleida em “Orange is the New Black”, Elizabeth Rodriguez tem a chance de se redimir como Liza, a ex esposa de Travis (Cliff Curtis) e mãe solteira do filho dos dois, Chris, em Fear the Walking Dead. No Television Critics Association, Rodriguez tirou um tempo para se sentar com o Vulture e conversar sobre as habilidades de enfermagem no apocalipse, prisão vs. zumbis e a tristeza do desespero existencial.

Nós vimos pouquinho de Liza e vimos muito mais sobre ela no segundo episódio. Você poderia nos falar sobre a personagem dela?

Elizabeth Rodriguez: Liza é uma mulher que não aceita besteira e é predominantemente mãe solteira. Ela se casou com o personagem de Cliff Curtis, Travis. Os dois tiveram um filho cedo, então, ela colocou seus sonhos de fazer medicina em segundo plano. Agora, doze anos depois, Liza e Travis não estão juntos, então ela volta a estudar, mas não sabe se terá tempo de se tornar médica. Então, em vez disso, vai estudar enfermagem. Basicamente, ela é uma espécie de pessoa que trabalha muito, não tem tempo para descansar e não suporta besteira. E, obviamente, é muito protetora do filho.

Naturalmente.

Elizabeth Rodriguez: Ela só quer que Travis seja um homem de palavra quando se trata do filho. Então, o fato de que ela é uma estudante de enfermagem acaba fazendo com que tenha um papel enorme nos episódios subsequentes.

Essa seria uma habilidade realmente boa de se ter.

Elizabeth Rodriguez: É, é uma habilidade realmente boa. Então, em um certo ponto, eu acabo tendo mais informação do que os outros têm.

Como você chegou a esse papel? Como se envolveu nesse projeto?

Elizabeth Rodriguez: Bem, originalmente, eu participei de um teste para o episódio piloto. Não tinha sequer lido o piloto. Eu acho que só li algumas cenas, já que elas são muito secretas. Originalmente, o personagem do Cliff deveria ser latino, então eu fui fazer o teste da personagem da Kim, estando totalmente ciente de que não conseguiria o papel. Porque pareceu que aquilo era muito importante, que era ele que estava entrando nessa família muito específica. Mas eu fiz o teste antes porque era uma grande fã da série, do trabalho de Dave Erickson e de Adam Davidson, então, não tinha nada a perder.

Então, quando fui, já tinha conhecido Dave, mas não conhecia Adam. Dave nem sabia que eu estaria lá porque era aberto a todas as etnias, sem o conhecimento dele. Eu fiz o teste porque queria que eles soubessem o que eu podia fazer. E eu entrei na sala e disse, “Ei, caras, eu sei que isso não sairá como eu quero, mas, o que quer que aconteça, eu sou realmente uma grande fã do trabalho de vocês.”

Então, “corta” para a parte insana: eu recebi esse papel, que também não foi escrito para uma latina. Acabou dando certo com Orange devido ao timing, que é sempre algo de enorme importância.


Já que a programação de Orange é sempre tão agitada.

Elizabeth Rodriguez: Simplesmente aconteceu que todos terminaram se falando e querendo que desse certo. Eu fiquei meio louca, e estou inacreditavelmente grata e chocada por ter dado certo.

E esse elenco… Eu sei que todos sempre falam que o elenco com quem trabalham é ótimo, mas esse não é o caso! Quero dizer, você sempre diz o que deve dizer; de qualquer forma, eu não poderia falar o suficiente sobre esse elenco. Antes de tudo, eu era uma grande fã do trabalho de Kim e de Cliff durante anos. Então, encontrá-los e descobrir que são seres humanos tão incríveis foi impressionante. Todos nós, de cima para baixo, de Dave e de Adam até todos os outros, todos buscaram tornar o trabalho o melhor possível em todos os níveis. É uma bênção, e o mais incrível é que acabei me tornando parte disso, realmente.

Ambos os elencos de Orange Is the New Black e Fear the Walking Dead são muito profundos. Como é fazer parte de tais grupos?

Elizabeth Rodriguez: Eu sempre brinco dizendo que as coisas só podem ficar mais fáceis. Como você pode estar em duas séries diametralmente opostas, trabalhar com essas pessoas e estar nesse momento? E como isso poderia se comparar com outra coisa no futuro?

Para onde vamos a partir daqui?

Elizabeth Rodriguez: Eu ganhei na loteria duas vezes seguidas. Não dá para ficar melhor do que isso. Continuo tendo de lembrar a mim mesma sobre isso.

Como você conheceu e desenvolveu a personagem da Liza?

Elizabeth Rodriguez: Eu tive que deixar uma peça mais cedo para participar da série, então tive que compreender a Liza rapidamente. Adam Davidson ajudou muito. Todos nós nos encontramos durante um dia inteiro, o elenco conversou detalhadamente sobre nossa história inicial e sobre o que é esse mundo. É incrível ter esse apoio e estar por perto de pessoas que querem fazer isso. Foi tão intenso que, no final do dia, eu estava estressada. Porque estamos falando sobre isso, e com o que poderíamos comparar esse cenário? Eu só consigo compará-lo ao furacão Katrina ou aos eventos do 11 de setembro, em que o caos aconteceu e não conseguimos atribuir sentido àquilo. Quem você é? Quem você se torna? E descobrir isso com pessoas que estão tão comprometidas em viver nesse mundo, eu não poderia ter tido mais apoio para compreender quem ela era e compreender esse mundo.


O mais angustiante em relação à série se localizar em Los Angeles é que provavelmente demoraria muito tempo para descobrir que existe um surto zumbi, pois a cidade é tão grande e existem sempre excentricidades e instabilidades. Existem sempre bolsões de violência.

Elizabeth Rodriguez: Com tudo o que aconteceu nesse ano passado, com a violência e com as barbaridades cometidas por policiais, cada segundo do dia, você acha que é mais uma dessas coisas…

Certo! Como alguém levar um tiro na Sunset Boulevard.

Elizabeth Rodriguez: Isso aconteceu há duas semanas em Ventura. Ou então há uma perseguição de carro. Isso acontece a cada cinco minutos; chato. Nós consideramos totalmente normal.

Eu acho que o segundo episódio mostra especialmente um entendimento do mundo em que estamos vivendo atualmente e quais seriam as ramificações da vida real em um surto.

Elizabeth Rodriguez: Sim! E vivenciar isso sem ter tanta consciência do que está havendo, isso poderia acontecer, e como aconteceria, isso afeta o seu dia-a-dia enquanto estamos gravando, e mesmo depois das gravações.

Uma coisa que eu adoro nas duas personagens, Aleida e Liza, é que ambas estão muito preocupadas em serem mães, mas de maneiras diferentes. Como você encontra aquele instinto maternal em personagens tão divergentes?

Elizabeth Rodriguez: Bom, eu sou muito mais parecida com Liza. Não tenho filhos, mas Liza é muito atenciosa. Quero dizer, eu compartilho outra qualidade com elas duas, que é não aguentar besteira.

É, você realmente não aceita.

Elizabeth Rodriguez: Mas, com Liza, eu pesquisei as qualidades que uma pessoa precisa ter para ser enfermeira. Então, embora eu jamais pudesse lidar com o sangue, há muitas qualidades que eu tenho, sim, como sentir empatia e ser bastante atenciosa. Eu acho que foi mais fácil me tornar Liza do que me tornar Aleida, ainda que eu seja ótima sendo Aleida. [Risos] Mas com Aleida, entre os takes, eu ficava constantemente me desculpando com os filhos. Eu dizia, “Você está bem, baby?”. Quando eu exagerava, perguntava “Tudo bem, querido? Como você está?”. O menino que interpreta meu filho na série, ele é tão lindo e carinhoso que foi fácil demais gostar dele.


Então, em relação ao assunto, você preferiria ficar na prisão ou fugir dos zumbis?

Elizabeth Rodriguez: Eu acho que tenho que dizer ficar na prisão, porque você sabe quais são as regras. E que, especialmente numa prisão com requisitos mínimos de segurança, é possível sair dela. Você conhece as regras, pode manipulá-las. E você sabe que é parte de um clã, você sabe qual é a sua posição. Nesse caso, não há regras. É o medo do desconhecido. Eu não sei como qualquer um de nós agiria, tipo, como é que conseguiríamos dormir?

Eu sempre fico impressionado com séries apocalípticas porque eu frequentemente subestimo o quanto as pessoas querem sobreviver. Particularmente, suspeito que eu seria mais indiferente. “Será que eu quero virar um zumbi? Será que eu não quero virar um zumbi?”

Elizabeth Rodriguez: O que eu acho incrível em relação a isso é que nós nunca nos fazemos essas perguntas. Nós pensamos, “Ah, em uma situação assim, nós nunca faríamos isso. Nós nunca mataríamos, nunca faríamos isso.”, porque pensamos que sabemos quem somos e quais são nossos valores, e queremos nos agarrar a eles. Mas eu acredito que a vida e a necessidade de sobreviver sob quaisquer circunstâncias, independentemente, são maiores do que qualquer coisa. Então nós fazemos coisas que jamais poderíamos imaginar para sobreviver e para tomar conta das pessoas que amamos.

O que leva à parte interessante, então, como viver com as escolhas que você fez?

Elizabeth Rodriguez: Exatamente. E é isso. Partes de você morrem com cada decisão que você precisa tomar. Trata-se de escolher tomar decisões ruins ou decisões ainda piores.

Então, depois de gravar algo assim, como você relaxa? Porque são coisas muito pesadas.

Elizabeth Rodriguez: Eu tenho certeza de que tudo vai voltar quando os episódios forem exibidos. Eu poderei reviver isso. Mas agora, estou andando pela rua com um olhar diferente. Ando pela rua observando, especialmente em Vancouver, eu andaria por aí pensando, “Todas essas pessoas poderiam ser walkers.” Existe definitivamente um fator de baixo nível de stress com que estou vivendo agora. E não estava ciente do que estaria por vir ou como o governo reagiria a isso em níveis locais, federais ou mundiais.

Isso é muito intenso.

Elizabeth Rodriguez: Eu também brinquei sobre não ter filhos, mas, se eu tivesse, eu seria a pior mãe, a mãe mais paranoica de todas, depois da série.

Como as pessoas criam filhos sem telefones? Simplesmente os deixam desligados e vão fazer as coisas?

Elizabeth Rodriguez: Eu não tenho ideia. E depois da série, eu mandaria tantas mensagens que meus filhos iriam querer fugir.

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