terça-feira, 4 de agosto de 2015

Resident Evil 2 Remake: muita calma nessa hora!


Por: Ceraldi (do site REVIL)

O sonho de muitos fãs parece dar indícios que pode acontecer. Resident Evil 2 Remake, algo tido como impossível e fora dos planos pela própria Capcom, pode acontecer e o indício disso é a consulta que a Capcom fez no perfil oficial de Resident Evil no Facebook perguntando aos fãs o que eles pensavam sobre o assunto. Mas, muita calma nessa hora! Um Remake de Resident Evil 2 pode ser mais misterioso e enigmático do que Ada Wong!

A publicação gerou milhares de comentários, e logo na sequência a empresa se mostrou empolgada com o suporte das pessoas a essa ideia, ou seja: mais do que nunca podem passar a considerar fortemente a possibilidade de fazer o remake de Resident Evil 2.

O hype train chegou, quase todos embarcaram e tem gente até no teto dele, mas sinceramente, eu tenho um receio enorme desse remake e não cheguei nem na plataforma de embarque desse trem. “Ih, lá vem o Ceraldi com mimimi” vocês vão dizer, mas antes de me apedrejar virtualmente, leiam o porquê de eu estar tão temerário com o possível remake de Resident Evil 2.

Antes, necessário…

O Remake de Resident Evil 1 trouxe novidades para o jogo que vão além dos gráficos

Antes de mais nada, vamos falar do Remake de Resident Evil 1. Em 2002, a Capcom surpreendeu os fãs anunciando um remake do clássico Resident Evil de 1996. O jogo chegou trazendo novidades na história, gráficos e sons soberbos e a mesma linha de jogabilidade porém melhorada, mas não foi só isso.

Resident Evil 1 foi um jogo pensado para ser único, sem continuação. Seu enredo é bastante fechado e dava poucas aberturas para continuações, mas para surpresa da Capcom o jogo fez um sucesso absurdo o que demandou por continuações, dessa forma, criou-se a necessidade de Resident Evil 1 ser refeito dando as aberturas para as continuações que já haviam chegado ao mercado e feito um enorme sucesso. Além disso, o Remake de Resident Evil 1 ainda trouxe uma narrativa mais dinâmica, novos elementos na história e as importantes ligações com o já desenvolvido futuro da história.

Óbvio que melhorias técnicas na parte gráfica, sonora e de jogabilidade eram necessárias, porque Resident Evil 1 foi um jogo que envelheceu absurdamente mal. Mas além desses pontos, Resident Evil Remake também teve o importante adendo de que o criador original do jogo, Shinji Mikami, participou ativamente de praticamente todo o processo, garantindo que o Remake não perdesse a atmosfera e aura do jogo originais, mantendo a sua identidade, sua essência e seu legado.

… agora, dispensável

Vale a pena mexer com o que já está excelente?

Claro que, após ver a obra de arte que Resident Evil Remake foi, o desejo de muitos fãs desde 2002 passou a ser ver Resident Evil 2 e Resident Evil 3 ganhando o mesmo tratamento, mas se isso era algo necessário a Resident Evil 1 por conta dos motivos listados acima, será que Resident Evil 2 e Resident Evil 3 precisam mesmo de um remake?

Basicamente, Resident Evil 2 já foi um jogo feito imaginando-se sequências, e por isso, ao contrário de Resident Evil 1, ele é um jogo que entrega inúmeras possibilidades de continuações e traz um enredo bem mais aberto para isso, contando inclusive com um maior destaque para a Umbrella e seus mal-feitos que ocasionaram a completa destruição da cidade de Raccoon. Além disso, com um orçamento maior e já visando esses vôos mais altos, Resident Evil 2 é um jogo que tecnicamente é bastante superior a Resident Evil 1, mesmo com apenas dois anos de diferença, é notável até mesmo hoje que o segundo título da franquia deu um salto gigante em qualidade gráfica e sonora, além disso, os controles também foram refinados para dar um pouco mais de dinamismo ao gameplay, mas ainda sem perder a essência de Resident Evil 1 e seus controles travados que favoreciam o puro terror.

Em resumo, não há motivos claros para dar a Resident Evil 2 o mesmo tratamento que Resident Evil 1 teve que passar para se adequar a uma franquia que rapidamente se tornou muito maior do que os produtores imaginavam. O principal motivo para o retrabalho em cima de Resident Evil 1 que foi seu enredo fechado e que dava pouca margem para continuações, não está presente em Resident Evil 2, que apesar de dar o primeiro nó na cronologia (Claire A, Leon B; Leon A, Claire B), mantém a sua linha de desenvolvimento de enredo bem clara mostrando que a história iria se desenvolver para algo maior do que apenas algo relegado a alguns locais isolados na cidade de Raccoon.

“Já avisei que vai dar m****”


Estamos vivendo uma geração que parece focada em remakes e versão remasterizadas, acho que todo mundo já percebeu isso. E acredito que os meus receios quanto a um remake de Resident Evil 2 sejam mais ou menos os mesmos que os fãs de Final Fantasy tem com relação ao Remake de Final Fantasy VII. Ambos são jogos que marcaram uma geração e são considerados obras-primas dentro de suas franquias, inesquecíveis até hoje, e os remakes de ambos os jogos tem muito em comum e algumas diferenças.

Ambos são jogos com quase 20 anos, de lá pra cá, suas mecânicas obviamente ficaram ultrapassadas, e ao se pensar em um remake, inevitavelmente vem o pensamento de uma nova mecânica, e é justamente aí que a produção fica em uma tênue linha que delimita o bom do ruim.

Um remake nos moldes do remake de Resident Evil 1, seria o cenário perfeito para os fãs antigos: manter a jogabilidade travada, ângulos de câmera fixa que contribuem para os sustos e o suspense, mantendo de forma mais simples a mesma atmosfera apresentada no Resident Evil 2. Ok, a receita parece fácil, mas é importante lembrar que Resident Evil Remake foi lançado em 2002, em uma época em que essa fórmula ainda dava certo e não se mostrava tão saturada. Nos dias de hoje, onde após o vanguardista Resident Evil 4 abrir um enorme leque de possibilidades com a câmera over the shoulder, uma geração inteira de jogadores foram acostumadas a jogar com esse estilo de gameplay, e trazer um novo jogo com a antiga fórmula de Resident Evil poderia ser um enorme tiro no pé, além de não explorar de forma satisfatória todo o poderio gráfico que os consoles da atual geração tem a oferecer.

Ao mesmo tempo, um remake de Resident Evil 2 que modifique sua estrutura e traga um gameplay com câmera em terceira pessoa, pode simplesmente destruir a atmosfera do jogo. Claro que temos bons exemplos de jogos de survival horror que trazem a câmera em terceira pessoa e mesmo assim são fantásticos, The Last of Us, Dead Space 1 e 2, Tomb Raider, e até mesmo Resident Evil: Revelations 1 e 2 fazem isso muito bem. A questão aqui, não é se o jogo vai ficar com nessa mecânica, mas sim se sua essência vai ser mantida, e a questão que levanto é justamente essa.

Mais um ENORME contra

Hideki Kamiya, o diretor de Resident Evil 2 não está mais na Capcom, assim como Mikami e Sugimura

Outro grande problema na produção de um remake de Resident Evil 2 é: quem são as pessoas que vão tocar o projeto e ficar responsáveis pelos principais aspectos da produção? Com Resident Evil: Remake, tudo foi feito por boa parte da equipe que fez o jogo original de 1996, sempre sob a batuta de Shinji Mikami.

Como sabemos, Mikami saiu da Capcom, mas o problema não é “apenas” a sua ausência, Hideki Kamiya que fora o diretor do jogo, também não está mais na Capcom, bem como Noboru Sugimura que foi responsável pelo roteiro mas que infelizmente já faleceu a mais de 10 anos.

Colocar uma obra tão perfeita para ganhar um remake pelas mãos de outras pessoas que não os responsáveis originais por ela, é no mínimo perigoso, e é mais um dos motivos pelos quais eu temo ver o legado e o “espírito” de Resident Evil 2 sendo maculados.

Sim, existe muita gente competente na Capcom hoje em dia, a prova disso é que Resident Evil: Revelations 2 foi um baita jogo e parece que está devolvendo a franquia de volta para os trilhos dos quais ela nunca deveria ter saído, mas a quem confiar uma nova versão da Monalisa se não ao próprio Leonardo da Vinci? Com certeza, por mais competente que outros artistas sejam, jamais farão a Monalisa como a de da Vinci, e é exatamente isso que penso sobre o remake de Resident Evil 2.

Pelos motivos certos

Se for só pelos gráficos, jogue Resident Evil: The Darkside Chronicles no PS3

Se o remake de Resident Evil 2 realmente sair do papel, apesar dos meus receios, é claro que desejo queimar fortemente minha língua e ver um resultado brilhante que não macule todo o legado de Resident Evil 2.  Mas acima disso, o desejo é que o remake não saia apenas para dar um upgrade gráfico no jogo.

A geração de jogadores atuais é muito ligada em gráficos. “Aff que lixo não roda a 60fps”; “Credo, esse jogo não tá em 1080p”, são apenas algumas das frases que diariamente lemos por aí a respeito de diversos jogos que são excelentes mas que recebem críticas apenas por sua “cara”.

Óbvio que um remake de Resident Evil 2 pode e deve ser lindo, isso é o mínimo que a empresa deve apresentar ao fazer uma nova versão daquele que ainda é um dos seus maiores jogos de todos os tempos, mas se o remake vier, ele deve ir além de apenas ser uma repaginada visual.

Resident Evil 2 traz uma trama bem complexa, com o envolvimento dos dois protagonistas em meio a sujeira da Umbrella. Além disso, temos a participação fundamental de personagens como Ada Wong, Sherry, Annette e William Birkin, Brian Irons e até mesmo HUNK. Então, que aproveitem o ensejo para entrelaçar ainda melhor essas histórias, aproveitando o arco que foi construído posteriormente no enredo, e dando mais profundidade e explorando dramas pessoais de personagens, como o que ocorreu em Resident Evil Remake com a adição da história da família Trevor, que pode ser um excelente parâmetro para um aprofundamento da história dos Birkin, por exemplo.

Apesar de parecer que estou torcendo contra, é claro que se o jogo sair o meu desejo é que ele seja o melhor possível, e o jogarei com a mesma paixão que joguei praticamente todos os jogos da franquia. Apenas expus uma série de fatores que me fazem ficar com o pé atrás com esse remake, mas keep evil, e que se vier esteja a altura daquele que pra mim é o melhor Resident Evil já lançado e traga novidades que façam valer a pena essa nova versão, sem é claro, perder a essência.

O texto acima não reflete a opinião do DIA-Z, e sim do autor do artigo. Respeite para ser respeitado, se não concorda com o que foi dito acima, o campo de comentários está aberto para o saudável debate de ideias, sem ofensas e com educação!

Via: REVIL

Nenhum comentário:

Postar um comentário