segunda-feira, 4 de maio de 2015

Por que o apocalipse zumbi é improvável?


É claro que você já sonhou com o apocalipse zumbi e cogitou se ele poderia realmente acontecer. Você já fez planos para o caso de os mortos-vivos invadirem a sua cidade, todos baseados em estratégias aprendidas com Resident Evil, The Last of Us, The Walking Dead ou filmes de zumbi (mas aqueles protagonizados por gente normal, tipo Extermínio ou Guerra Mundial Z).



Ainda que algumas pessoas realmente desejem que o apocalipse zumbi aconteça e acreditem que esse tipo de coisa pode ser legal e divertida (sério, gente?) esse tipo de evento é altamente improvável. Eu digo “improvável” porque odeio dizer que algo é impossível. Bom, a ficção pode ser algo que alguém simplesmente imaginou antes de acontecer, não é? Mas de qualquer forma, existem uma série de motivos que dificultam a dominação da Terra pelos mortos vivos.

Zumbis não “funcionam”


O zumbi em si é uma coisa bastante improvável. Por enquanto, não se sabe se um organismo morto não pode ser reanimado por qualquer mecanismo natural, incluindo aí os vírus. Você pode dizer que existem os casos daquelas pessoas que estão “clinicamente mortas” e que são ressuscitadas. A morte clínica coincide com a parada cardíaca: o coração pára de bater e o sangue não circula mais. Os médicos têm pouco tempo para reverter essa situação, evitando que as células do corpo, especialmente as cerebrais, morram pela falta de oxigênio. A morte “definitiva” só acontece se a parada cardíaca se estende por tempo suficiente até ser considerada irreversível. Ainda assim, não dá pra dizer que quem “morreu” durante uma parada cardíaca e o coração voltou a bater seja, tecnicamente, um zumbi.

Uma série de questões dificultam a possibilidade da “existência” do zumbi. Ainda que existam alguns casos bem particulares de reanimação de corpos, como os zumbis de Toraja, (os quais provavelmente nunca estiveram realmente mortos) o conceito do cadáver que se locomove e morde pessoas é algo bem distante da realidade. Ainda que algumas células permaneçam vivas por muito tempo após o fim da circulação do sangue e a redução do aporte de oxigênio, os neurônios são extremamente sensíveis a essa situação. Sem eles, é impossível que um organismo ande ou tenha qualquer instinto de fome, ataque, o que seja. Algumas obras de ficção concebem o zumbi que só apresenta os centros “cerebrais básicos” para manter o organismo vivo funcionando. Ainda que ninguém especifique quais seriam essas áreas, é difícil imaginar que alguém consiga andar sem controle de áreas superiores. Ainda que pareça simples no nosso dia-a-dia, caminhar é um processo bastante complexo, que envolve a atividade coordenada de diversas áreas do sistema nervoso, com ações conscientes e inconscientes. Não é a toa que a gente não nasce andando.

Muito menos isso.

Um outro detalhe sobre os mortos-vivos também impediria a locomoção dos zumbis: o rigor mortis. A rigidez cadavérica aparece algumas horas após a morte e acontece pela falta de oxigênio nos músculos. O cadáver fica “duro” porque os músculos permanecem contraídos devido à falta de energia nas células musculares. O rigor mortis dura mais ou menos 36 horas e termina com o início da decomposição dos músculos. Um corpo rígido e 100% contraído não pode se locomover. Células musculares em decomposição não são capazes de funcionar. O próprio processo de decomposição já reduz o tempo de vida (?) de um zumbi drasticamente. Quantas insetos, larvas, bactérias e fungos seriam atraídos pelos cadáveres, acelerando a destruição daqueles corpos?

Vale lembrar que… bom, zumbis já estão mortos. A vida humana por si só pode ser considerada frágil, mas podemos ser esfaqueados, baleados, atropelados, afogados, infectados por vírus, bactérias, fungos e, ainda assim, sobreviver, por uma série de fatores. Estando vivos, temos um sistema imunológico pronto para combater doenças e cicatrizar feridas. Se o organismo não dá conta, podemos usar remédios ou recorrer a médicos que nos ajudem. Um zumbi não teria um sistema próprio de cura, cicatrização e, obviamente, não seria ajudado por ninguém e nem por si mesmo – já imaginou um zumbi fazendo curativo ou tomando remédio? Por esses e outros detalhes, se zumbis sequer fossem reais, as chances de sobrevivência deles seriam bastante reduzidas.

Zumbis não pensam


Por definição, zumbis são criaturas com zero processamento cognitivo. Eles não pensam, planejam ou avaliam nada. Ainda que exista todo o conceito de horda, muito usado em The Walking Dead, zumbis não têm capacidade de agir em grupo, de forma que um coopere com o outro para que um objetivo seja alcançado. Eles não podem se organizar ou formar um plano de ataque, muito menos de defesa própria. Zumbis só querem comer seu cérebro e eles simplesmente tentam fazer isso. Zumbis não costumam evitar o perigo: ainda que o medo seja um dos “instintos básicos para a sobrevivência”, eles não parecem senti-lo, o que até gera uma certa inconsistência aí.

Complicado.

Enquanto isso, nós podemos agir em grupo, bolar estratégias, usar armas e outras “n” ferramentas capazes de incapacitar zumbis, criar barreiras de contenção, abrigos… temos militares! Cara, nós temos muita vantagem simplesmente pelo fato de pensar.

Zumbis não são páreo nem pra nossa zuera, hue

E ainda que algumas pessoas pareçam não pensar, supostamente elas não têm um cérebro, e portanto, não deveriam ter medo de zumbis. Tu-dum-tss!

Zumbis não aguentam temperaturas extremas


O planeta Terra é lindo porque possui uma variedade enorme de formas de vida, adaptadas a vários ambientes, que variam de acordo com um monte de aspectos, incluindo aí a temperatura. Em algumas áreas da Terra faz um calor danado; em outras, um frio de congelar os ossos. A gente se adapta a essas temperaturas extremas não só porque estamos vivos e temos mecanismos compensatórios que resfriam a pele ou evitam que o corpo perca calor, mas porque desenvolvemos estratégias para lidar com ambientes quentes e frios, que vão desde o ventilador que cospe vento na sua cara até um casaco quentinho.

Nem precisava, mas já discutimos que zumbis estão mortos e, portanto, não têm controle fisiológico da temperatura. Zumbis também não pensam, então não irão bolar estratégias não-fisiológicas para combater o frio ou o calor extremos.

Temperaturas mais elevadas são um prato cheio para a multiplicação de microrganismos, incluindo os que habitam a nossa flora natural. Em um zumbi, a situação se complica ainda mais, porque não há sistema imunológico para frear a multiplicação desses seres. Em áreas secas e quentes, como os desertos, os zumbis passariam por algo parecido com a mumificação, mas a falta de água basicamente transformaria os corpos em pó. As condições mais quentes e úmidas das regiões tropicais e subtropicais do planeta fariam com que os zumbis entrassem em decomposição muito rapidamente, especialmente pela multiplicação da flora intestinal. Isso significa que após alguns dias os zumbis iam acumular uma enorme quantidade de gases produzidos pela decomposição do organismo no abdômen até explodirem. Que nojo.

Nenhuma regra se aplica aos White Walkers de GoT.

Já em temperaturas baixas, os zumbis estariam facilmente susceptíveis ao congelamento. Cerca de 70% do corpo humano é feito de água, o que faria com que os mortos-vivos simplesmente se tornassem cada vez mais e mais rígidos até se tornarem estátuas bem macabras. Vale lembrar que o gelo é menos denso do que a água no estado líquido, fazendo com que seu volume seja maior. O maior volume do gelo faz com que as células inchem e se rompam com ainda mais facilidade, ampliando o processo de destruição dos corpos.

Forma de transmissão


As mídias já criaram zumbis de várias formas diferentes, mas considerando a mais comum,  de “transmissão por mordida”, o apocalipse zumbi se torna ainda mais improvável. A mordida cria um sistema de transmissão lento, em que um indivíduo contaminado precisa não só entrar em contato ou estar próximo de outros possíveis hospedeiros, mas atacá-lo de forma que o agente causador da “zumbificação” entre em contato com a corrente sanguínea da vítima. Quantas pessoas um zumbi seria capaz de morder, uma a uma, antes de ter a cabeça estourada? Nós provavelmente seríamos mais eficientes em erradicar os zumbis do que eles seriam para morder pessoas. Para sobreviver ao apocalipse zumbi “clássico”, tudo o que você precisa fazer é não ser mordido. Fazendo um paralelo: a raiva tá aí, muito bem obrigado e sabe, ela não consumiu a população mundial ainda. Falando em números, nos EUA 3 pessoas morrem de raiva por ano, em média.

Ainda que a gente assuma que Resident Evil usa esse sistema da transmissão do vírus por mordida, o T-vírus parece ter várias formas de transmissão além dessa, como a água, ar, comida, insetos, roedores… Quem joga Plague Inc ou Pandemic sabe que essa é a fórmula do sucesso para matar a população mundial. Além de ser transmissível de muitas formas diferentes, o T-vírus parece ter muitos hospedeiros possíveis. Transmissões pela água e pelo ar são extremamente rápidas porque afetam uma grande quantidade de indivíduos em muito pouco tempo de forma silenciosa. O T-vírus, se existisse, seria um agente patológico bastante preocupante para a humanidade.

Rain, mordida apenas 25 vezes por minuto em “O Hóspede Maldito”.

Essas características tornam o T-vírus poderoso e que se espalha muito rapidamente, mas também um vírus bastante fora da realidade. Vírus são adaptados a seus hospedeiros (não só a eles, mas células específicas deles) e isso também, muitas vezes, define como podem ser transmitidos de um indivíduo para o outro. O que pode aproximar o T-vírus da realidade é justamente ser um vírus artificial, criado em laboratório. O T-vírus é basicamente, um agente transgênico, o resultado da combinação de genes de vários outros vírus, criando algo com características completamente novas. Não entre em pânico, mas a engenharia genética é realidade e os transgênicos estão em todos os lugares, inclusive na comida que você come todos os dias.

Controle de Doenças


A gente já estaria em vantagem mesmo que o número de zumbis se tornasse extremamente grande, mas uma “doença zumbi” em escala global é muito, mas muito improvável. Quem lembra do pavor de doenças como o SARS e as gripes suína e aviária? Eram doenças absurdamente mortais, mas que atingiram cerca de 20 mil pessoas no total. Ainda que as notícias falado muito sobre essas doenças e criado o maior pânico no mundo inteiro, os casos representam mais ou menos 0,0003% da população mundial. Vale lembrar que as três doenças são transmitidas pelo ar, o que faz com que elas se espalhem bastante rápido.

Considerando o processo de “zumbificação” transmitido por mordida, já é difícil ser “infectado”. Além do mais, a gente não vive na era da peste negra, estamos em pleno 2015. Quando uma doença mortal aparece, nós logo ficamos sabendo sobre ela pelo noticiário ou pela internet. Nós criamos centros de quarentena, fiscalizamos ou fechamos fronteiras e controlamos o espaço aéreo. O simples fato de ficar em  casa e evitar outros “doentes” já ajuda.


Outra desvantagem para o zumbi é que ele não é um “doente” muito discreto. Os melhores vírus são aqueles que são capazes de atingir o maior número de pessoas antes que os infectados manifestem os sintomas, porque nesses estágios iniciais as vítimas não se isolam ou iniciam tratamentos. Alguém com gripe suína pode passar por alguém resfriado ou com alergia, já que nos estágios iniciais, um espirro é só um espirro. Um zumbi é um cadáver que anda e morde pessoas, candidato perfeito para uma quarentena + bala na testa sem necessidade de exames.

Mas se o apocalipse fosse com palhaços seria BEM PIOR.

Em resumo, o apocalipse zumbi tão abordado em filmes, jogos, quadrinhos e séries de TV é altamente improvável, por uma série de motivos. Se zumbis passíveis de existir, talvez eles pudessem tomar conta de uma cidadezinha do meio-oeste americano com pouco mais de 100 mil habitantes? Talvez sim. O mundo inteiro? Não. Então nem adianta se gabar das seus conhecimentos estratégicos para sobrevivência no mundo infestado por zumbis: eles provavelmente não vão servir para nada.

Via: REVIL

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