quarta-feira, 8 de abril de 2015

Andrew Lincoln fala sobre o surpreendente final da 5ª temporada de The Walking Dead


[ATENÇÃO!! ESTE CONTEÚDO CONTÉM SPOILERS DO EPISÓDIO S05E16 – “CONQUER“!]

Quando se trata de The Walking Dead, Rick está de volta ao seu lugar – na liderança. Após derrubar um zumbi que conseguiu adentrar os muros, fazendo um discurso passional, e colocando uma bala na cabeça de Pete sob comando de Deanna, Rick finalmente fez os moradores de Alexandria, no finale da quinta temporada, enxergarem a luz sobre o que é necessário para se protegerem dos perigos, humanos ou não.

O Entertainment Weekly conversou com Andrew Lincoln para saber sua opinião sobre o grande discurso de Rick (“foi um apelo às armas, mas um apelo contido”), sobre ter sangue de zumbi derramado em seu rosto em um clima congelante, e sobre uma possível conexão amorosa com Jessie.

EW: Vamos começar com o final. Rick certamente gosta de fazer discursos ou fazer proclamações importantes no final das temporadas. Eu notei isso sobre ele – e seu timing é impecável. Quando o final da temporada começa a se desenrolar ele sempre tem algo muito importante a dizer.

Andrew Lincoln: Sim, e me apavora isso ter acontecido em todo script final dos últimos três ou quatro anos, eu tenho meio que… é como ser juiz e júri. “Vamos encerrar tudo aqui. Sem pressão, Andy.” Foi um episódio final extraordinário, e é claro que todos estavam lá. Então você tem que fazer isso na frente de todos os seus colegas atores que ainda estão vivos, e todos os novos que acabaram de chegar – e depois de sete meses e meio de filmagem incessante. Então é um rito de passagem. Além disso, eu ficava olhando para Norman Reedus e ele ficava rindo. Ele disse “É, é melhor que seja você do que eu, cara.” E ele apenas detona e parece sexy. Agora eu sei atrás de qual papel eu deveria ter ido cinco anos atrás, me entende?


EW: Além disso, ele tem a Besta. Ele fica com tudo!

Andrew Lincoln: Exatamente! Eu mandei uma mensagem para ele – porque nós trocamos mensagens ridículas – e eu estava autografando algumas cartas de fãs e havia uma foto em que eu parecia convenientemente perturbado em primeiro plano e Norman estava lá com sua Besta para cima. E não dava para ver nada além do cabelo dele. Eu disse para a minha esposa “É isso que eu adoro no Norman. Ele não liga.” Toda a equipe de filmagem disse “Você poderia baixar a Besta, Norman, para podermos ver seus olhos?”, e ele disse “Eu não vou abaixar a Besta. Eu quero matar esse cara.” É isso que eu adoro no Norman, você não consegue nem ver seu rosto em nenhuma dessas fotos. Brilhante.

EW: Fale sobre essa cena carregada bem no final em que você abaixa o corpo do zumbi e faz o discurso. Como você se prepara para algo como aquilo?

Andrew Lincoln: O dilema de Rick é que ele já disse tudo o que precisava dizer no episódio 15. O episódio 15 poderia ter sido um season finale por si só, eu pensei. Foi um episódio final bem ambicioso [do showrunner Scott Gimple] porque ele estava rodando, talvez, sete histórias independentes ao mesmo tempo. Rick estava passando por aquela situação difícil de ficar do lado de Carol ou não. Há muita pressão vinda do lado de Carol sobre o que deveria ser feito. E então ele chega a uma conclusão, auxiliado pela lembrança de Bob e outros personagens que o levaram a ser uma pessoa mais razoável. É quase como se estivesse reconfigurando o homem, e ele fez muito disso no isolamento.

Nós também demos muita sorte. Acho que se a reunião da cidade tivesse acabado mal, ele teria tomado o controle – teria tomado o lugar. Mas demos sorte, tanto quanto os portões foram abertos. E eu disse para o Scott – e esse sou eu tentando me livrar do discurso – eu disse, “Não acho que eu tenha que dizer nada. Eu acho que está implícito no fato de eu aparecer com um zumbi e jogá-lo no chão na frente deles, coberto em sangue.” E ele disse “Eu concordo com você, mas porque você não faz o discurso assim mesmo e a gente vê o que acontece?” [risos] E estava, tipo “Tudo bem, lá vai o discurso.” Eu acho que esse episódio focou muito no homem lutando com a liderança. Ele não quer ter que fazer isso. Ele cometeu um erro. Ele vacilou, mas mostrou suas cartas no episódio passado e foi uma má ideia. Ele não está orgulhoso de si no episódio 15. Eu acho que ele está envergonhado de ter chegado nesse ponto, mas foi uma combinação de emoção e sentimentos de querer tomar o controle, perdendo algo. Somos como bens danificados. Estamos bem danificados, Dalton, mas estamos dando o nosso melhor.


EW: Eu amo a resposta imediata, mas também o rosto sem expressão que você faz quando Deanna diz “Rick, faça.” E então você simplesmente se vira e atira em Pete. Não há hesitação, mas também quase não há emoção quando você obedece.

Andrew Lincoln: Eu acho que você está certo e que foi uma decisão muito consciente. Eu não queria que fosse muito carregada de “Está vendo? Agora você entende.” Era muito mais do que isso, “Eu espero você.” Eu acho que é uma parte muito importante. Ele está muito ciente do fato, mas também há uma inevitabilidade nisto, e por isso ele está esperando por ela decidir isso. Ele não estava parado julgando-a, era mais como “Eu estou pronto. O que você quer?” Então ele continua a dar o status, mas não há julgamento. Eu não acho que ele seja assim. Ele é um homem justo e sabe que ela ficou traumatizada nos últimos três dias. Ela perdeu o filho e agora o marido.

EW: E além disso tudo, ele vê Morgan. O que Rick pensa depois de todas as outras coisas que tem acontecido e então ter Morgan parado em frente a ele?

Andrew Lincoln: Novamente, ele é como uma miragem. Esse cara continua aparecendo a cada duas temporadas. Foi um lindo encerramento e eu acho que isso abre a porta para muitas perguntas. Ele parece um homem mudado. É tão incompreensível que esse cara esteja parado na minha frente com Daryl e Aaron. Tudo o que eu posso dizer é que todos estão doidos para ver como será o episódio de retorno e nós descobriremos isso logo. Eu acho que há uma tempestade a caminho.

Para mim esta temporada foi certamente uma das mais excitantes. Eu apenas acho que a narrativa desta temporada foi tão ambiciosa e corajosa e realmente surpreendente. Eu acho que Scott e todos da equipe e os escritores fizeram um trabalho magnífico. Tem sido um prazer assistir Sonequa e Steven Yeun e todas essas incríveis, maravilhosas performances. Não parece mais um conjunto – parece mais um elenco de atores principais. E certamente os escritores estão escrevendo para isso. Eles perceberam que eles podem se apoiar nas pessoas.


EW: Como foi filmar em Alexandria? Parecia uma terra estrangeira em um primeiro momento, e se sim, você gostou de parecer assim porque era uma terra estrangeira para os personagens?

Andrew Lincoln: Era um ambiente estranho, muito desconfortável para todos nós e eu acho que essa era a intenção. Eu acho que eles queriam que nos sentíssemos animais selvagens, e então chegássemos nesse paraíso relativamente seguro, puro, intocado. O episódio 12, onde eu me barbeei e estávamos limpos e eu vi meu reflexo pela primeira vez desde o episódio 9 [da última temporada] quando meu rosto está todo machucado e eu não me reconheço: Ele não se reconhece tanto quanto quando viu seu reflexo pela última vez, com a barba e sem. Eu acho que foi muito… foi muito desconfortável, foi estranho e isso foi delirante para o meu personagem e para mim. Eu acho que isso ajudou bastante.

O que é interessante é que nós demos muita sorte com esse lugar e com essa comunidade porque agora que nós fizemos isso e estabelecemos isso, sinto como se eles fossem ter que nos ouvir e talvez ser educados por nós pela força que nós temos como sobreviventes. Nós poderíamos estar abrindo um horizonte muito, muito diferente e excitante na série, o que é muito mais psicológico e muito mais sobre se reinventar e como nós formamos e queremos formar uma sociedade. Foi diferente para mim, como ator. Estamos tão acostumados a tudo sendo imediato e no momento e a altos riscos, e foi tão interessante apenas ter cenas sinuosas. Sabe – um romance, um potencial romance, ou ter sentimentos novamente com outro personagem foi realmente animador de interpretar. E descobrir se esse cara é capaz disso.


EW: Com Pete fora do caminho, Rick irá tentar algo com Jessie? Claro que ele acabou de colocar uma bala na cabeça do marido dela.

Andrew Lincoln: Nunca é fácil namorar no apocalipse. [risos] Há um pequeno obstáculo no caminho do namoro. Eu acho que o próximo jantar à luz de velas poderia ser problemático. Temos algumas coisas para conversar. Apenas nessa série. É, tipo “Está tudo muito bem, tirando o fato de termos quase nos matado na rua na noite anterior. E então eu atiro na cabeça do seu marido no dia seguinte. Enfim, deveríamos partir daqui?” [risos] Estou ansioso para ler esta primeira cena. E fico feliz de não ser um dos escritores da série.

EW: Eu amo aquelas cenas com você e Tovah Feldshuh, como Rick e Deanna, onde vemos dois diferentes, mas efetivos líderes, discutindo política, de certo modo.

Andrew Lincoln: Que talento. Temos tanta sorte em tê-la. A primeira cena em que ela apareceu, ela ainda estava sob efeito do jet-lag e nós a demos nove páginas. Ela é elétrica. Ela tem essa energia incrível, ela tem um brilho feroz. E ela é, dentro do seu próprio direito, uma líder formidável e gerencia bem as pessoas, o que eu acho que seja um incrível atributo neste mundo. Eu amo trabalhar com ela. É tão adorável ter uma atriz tão experiente e vastamente talentosa no set, como Scott Wildon e Jeff DeMunn – é um sentimento tão incrível ter no set toda essa energia da juventude e essas pessoas brilhantes.


EW: Ok, precisamos falar sobre sua luta com o zumbi, que termina com ele explodindo sobre você. Essa cena foi muito bagunçada? E quantos takes você teve que suportar?

Andrew Lincoln: Não muitos. O que eu percebi agora, vivendo e trabalhando em Atlanta, Georgia, por cinco anos é que você explode tripas em um calor de 37º graus e com umidade relativa do ar em 90% durante todo o verão. E durante todo o verão a equipe dizia “Andy, Andy, Andy. O outono é a época mais bonita da América. Não se preocupe com isso. Está tudo bem.” E é claro, o outono dura dois dias, e então o clima fica congelante. E o que houve foi que Greg Nicotero disse “Eu prometo para você, eu vou esquentar o sangue.” E eu disse “Como você vai esquentar o sangue? Entre as pernas?!” O que nós fizemos: estávamos gravando e estava -3º e é claro que eu estava lutando com Jake – que é o meu parceiro de luta zumbi, e trabalha para a KNB e faz toda a maquiagem – e é claro, tínhamos a luta. O resto da equipe estava em quatro camadas de agasalho, e eu estava lá apenas esperando para um balde de sangue cair no meu rosto. Essa é a minha vida, Dalton. Esse é o trabalho. É quase como um trabalho de brincadeiras. Eles diziam “Ok, Andy, esse é o episódio final. Obrigado por todo o trabalho duro. Nós iremos jogar um galão de sangue frio no seu rosto e então você tem que fazer um grande monólogo. Bem assim. E aí você pode ir para casa.” Mas eu amo isso. Depois da luta e da cena na rua e do sangue e de ficar todo bagunçado, afrouxar a gravata e pôr meu casaco novamente e então ter uma espécie de luta com o zumbi foi incrível.

E conseguir realizar isso, parecia como se Rick estivesse de volta. Eu acho que ele estava frustrado. Ele sempre se sente terrivelmente responsável pela tomada de más decisões. Eu acho que ele provavelmente sente como se devesse ter ido junto na busca quando Noah morreu. Esse é um dos grandes motivos pelos quais ele explode no [episódio] 15. Então foi um grande episódio, o 16, porque parecia bastante como se não fosse mais uma democracia. Parecia como se estivesse tudo nessa linha – foi um apelo às armas, mas um apelo contido. Eu adorei a fala “Quantos de vocês eu terei de matar para salvar suas vidas?” Foi um sentimento lindo que Scott escreveu, eu pensei.

The Walking Dead irá retornar com a sexta temporada em outubro de 2015 na AMC e na FOX Brasil. O trailer da temporada, bem como a data oficial de lançamento, será divulgada durante a Comic Con de San Diego em julho.

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