sábado, 25 de abril de 2015

A força do amor no apocalipse de The Walking Dead


Uma história, seja ela qual for, para dar certo, dizem, tem de ter romance. Não há filme ou série de terror, ficção, comédia, ação que não careça de um casal apaixonado. Quando o monstro está correndo atrás da mocinha e do mocinho, os dois têm de parar, olhar para a cara um do outro, dar um beijo profundo e dizer: “Vai dar tudo certo, porque o nosso amor é maior do que tudo.”

The Walking Dead, sabemos, já teve seus casais. Atualmente, Glenn e Maggie são os representantes, por mais que não pareçam mais tão perdidamente apaixonados. Mas ninguém vai se esquecer, nunca, da Tríplice Amorosa, claro, formada por Rick, Shane e Lori. Foi um dos pontos altos da série, e continua, até hoje, povoando a mente das pessoas, que vivem se perguntando o que aconteceria se Shane ainda estivesse vivo, por exemplo.

Enfim, The Walking Dead, atualmente, tem algumas discussões sobre isso.

– Daryl e Carol deveriam ficar juntos?

– Carl e Enid vão formar um novo casal juvenil?

– Os sentimentos que Eugene parece desenvolver por Tara irão para frente?

– Sasha merece encontrar alguém que a ajude a sair dessa “neurose”, um novo Bob?

– E Rick? Vai engatar um love com Jessie? Ou com Michonne?

Bem, eis o que Andrew Lincoln, ator que interpreta o nosso intrépido protagonista, o xerife Rick Grimes, pensa a respeito disso:

“Bem, Alex Breckenridge (que interpreta a bela Jessie) é uma atriz brilhante, que se juntou a nós nesta temporada. Nós conversamos muito a respeito disso, para que isso não seja apenas troca de olhares e impulsos entre eles. E foi muito mais. Rick e Jessie sofreram muito, tiveram perdas e, de alguma maneira, surpreendem um ao outro com uma troca de intimidades. Mas, se você colocar o Rick em um detector de mentiras e perguntar: “Você tem sentimentos pela Jessie?”, eu acho que nem ele mesmo saberia a resposta. Acho que ele apenas bancaria o durão e diria: “Não”.”


Lincoln, claro, não vai entregar o jogo. Faz parte do sucesso da série, esse segredo que a envolve – por mais que a revista em quadrinhos entregue uma coisa ou outra, como não poderia ser diferente.

Mas…

“Mas eu acho que existem momentos na história dos dois que são quentes, mesmo. Certamente, ela é a primeira pessoa que faz de Alexandria um lugar viável para ele. E ela explica isso para ele. Ela diz: “Bom, todos nós tivermos perdas, e isto é… Olhe para o futuro. Aconteceu tanta m*… no passado, olhe para isso agora. Pessoas que nunca conheceriam outras… Hoje, elas estão conversando entre elas”. Dessa maneira, ela abre para ele um lado ao qual ele não tinha acesso há dois anos. É um homem tentando ter sentimentos e sensações novamente. E eu acho que todos os personagens vão começar a sentir isso novamente. Todos estão, em suas maneiras, tentando quebrar esse gelo. Tentando ver se conseguem ser humanos novamente.”

Ou seja, Lincoln pode não fazer revelações sobre o futuro de Rick com Jessie, por mais que deixe claro acreditar que uma relação seria sadia, mas nos abre para outra discussão.

Ter um par numa série como The Walking Dead, principalmente no estágio atual, vai além do fato de captar a audiência com um relacionamento, com momentos de “humanidade” quando o sub-humano impera. Abrir-se para essa situação é desenvolver um lado a mais de um personagem. E colocar esse ingrediente a mais, é saber que ele vai pensar duas, três, quatro vezes na hora de tomar uma decisão relacionada a ela/ele. Decisão, claro, que nem sempre pode ser a politicamente correta, e Robert Kirkman e Scott M. Gimple já nos mostraram que coisas ruins podem acontecer dessa maneira – coisas que fazem, até, com que a série cresça.


Não foi um pouco disso que aconteceu, para falar a verdade, com Daryl, depois que ele “entra na intimidade” de Aaron?

Não foi, será, uma maneira de criar – ou resgatar, para alguns – um pouco da “delicadeza” de um personagem que, até aqui, está estereotipado como machão, lutador, bicho do mato, ogro, anti-herói?

Para muita gente, diga-se, funcionou bem. Daryl arrasta multidões de fãs e “hatters”, mas, se precisava se reinventar, o primeiro passo foi dado. O sujeito tem uma exposição midiática gigantesca para The Walking Dead. Comercialmente, é importante para a série. Mas não é por isso que não possa estar sujeito ao que todos estão. Daryl, no fim, ter de ser humano, porque as pessoas, claro, se identificam com isso.

Desde que o mundo é mundo, as pessoas se relacionam. Existem mil maneiras de explorar isso, e The Walking Dead, até aqui, tem usado isso de maneira inteligente. Criar um drama é tão importante quanto criar uma paixão e uma tragédia. Se você gosta mais de um do que de outro, é a sua opção. Mas que existe público para todas elas, disso não há dúvidas.

The Walking Dead irá retornar com a sexta temporada em outubro de 2015 na AMC e na FOX Brasil. O trailer da temporada, bem como a data oficial de lançamento, será divulgada durante a Comic Con de San Diego em julho.

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