segunda-feira, 9 de março de 2015

The Walking Dead 5ª Temporada - Tovah Feldshuh fala sobre interpretar a líder de Alexandria na série


[ATENÇÃO!! ESTE CONTEÚDO CONTÉM SPOILERS DO EPISÓDIO S05E12 – “REMEMBER“!]

O grupo principal finalmente adentrou os portões da Zona Segura de Alexandria essa semana, e o que eles encontraram lá foi bem chocante. Atrás dos muros existe uma comunidade pacífica comandada por Deanna Monroe, interpretada pela quatro vezes indicada ao Tony e veterana da Broadway Tovah Feldshuh.

Feldshuh, cujo extenso currículo ainda apresenta uma indicação ao Emmy por sua atuação na série “Law & Order” e filmes como “Beijando Jessica Stein” e “A Walk on the Moon”, não é alguém que você espera ver na série sangrenta de sucesso do AMC. O que provavelmente seja o motivo pela qual ela seja a escolha perfeita para a personagem cujo nível de liderança tem estilo completamente diferente do sadista Governador de Woodbury.

Se juntar ao elenco de The Walking Dead ainda não é a maior aventura na vida de Feldshuh no momento. O Variety conversou com a atriz sobre seu papel na série direto de seu hotel na Tanzania, onde ela está se preparando para escalar o Monte Kilimanjaro.

Variety: Como você conseguiu esse papel? Você acompanhava a série?

Tovah Feldshuh: Eu nunca tinha visto a série. Eu recebi uma ligação para ler uma cena, não para a série, nem mesmo da série era a cena, mas uma cena onde eu interpretava uma líder de um grupo de inteligência, se não me falha a memória. Eu recentemente interpretei uma líder de um grupo de inteligência em uma série chamada “Covert Affairs: Assuntos Confidenciais”, com Piper Perabo.

Amei a cena que eles me deram. A diretora de elenco era maravilhosa. Eu agradeci a ela e peguei um avião para o Equador, de onde iria para Galápagos. Eu nem sabia que tinha um emprego. Eu acho que consegui o emprego na segunda e fiquei sabendo na terça-feira. Eles me levaram de volta de Galápagos. Eu me encontrei com os produtores da série em Atlanta em uma segunda, fiz teste de figurino e na terça eu comecei uma enorme cena de 10 páginas com Andrew Lincoln. Foi uma loucura.


Variety: Você acha que seu histórico no teatro foi um ponto decisivo para que você pudesse entrar no meio da série sem saber de muita coisa?

Tovah Feldshuh: Eu não sei, mas sei que Andrew Lincoln foi um parceiro de cena fenomenal, e muito disponível. Nós conversamos por telefone na segunda à noite, falamos da cena e a fragmentamos para que estivéssemos prontos. Queria que estivesse tudo pronto para a hora da gravação na quarta-feira e eu estudei muito, não foi apenas uma memorização do roteiro. Por mais que a cena seja uma cena grande – e foi longa – ela refletia o que estava acontecendo entre Andy e eu. Eu nunca tinha conhecido ele e nem ele a mim. Nos conhecemos gravando essa cena.

Variety: Nós descobrimos sobre o passado de Deanna na cena quando ela conta a Rick, mas você conseguiu descobrir mais coisas sobre a história dela?

Tovah Feldshuh: Eu me baseei em Hilary Clinton para a personagem. Ela é alguém quem admiro e alguém incrivelmente qualificada para liderar uma nação. Ela está a serviço dos Estados Unidos já tem um bom tempo de sua vida. Eu a estudei como meu projeto imediato. Dei uma olhada em outras congressistas mulheres e tentei pensar o que eu poderia somar a elas: Onde elas se encontrariam com a minha personagem como ser humano? Porque não havia tempo. Não esqueça que aquilo não era meu teste. Não é como se eu já tivesse tudo pensado.

O teste foi uma cena extremamente tensa com um inimigo que eu tinha aprisionado. Lembro que tive que dizer, “Vocês vão todos morrer!” Deanna Monroe nem carrega arma. Ela é culturalista. Ela é o cérebro e a esperança de se retornar a uma sociedade onde as pessoas têm tempo suficiente para cuidar das crianças, beijar outra vez, se conectarem e procriarem. Ela precisa de Rick Grimes. Ela precisa dos músculos de Rick e ele precisa do cérebro racional dela. Ela precisa do conhecimento do mundo exterior dele e ele precisa daquele santuário ali dentro.

Existe uma ingenuidade incrível porque nada tinha acontecido antes àquela comunidade. Por quanto tempo isso vai durar? E o que Deanna pode fazer para evitar o problema real? Ela quer integrar o grupo de Rick às pessoas que já estavam em Alexandria. Deanna claramente está tentando somar o conhecimento das pessoas de fora, músculo, força, mas não vandalismo. Ela tem que garantir que essas pessoas sejam racionais.


Variety: Você disse que usou Hilary Clinton como sua inspiração, mas você também já fez sucesso na Broadway interpretando Golda Meir. Você vê algum ponto em comum entre os estilos de liderança de Golda e Deanna?

Tovah Feldshuh: Golda não se irritava facilmente e acho que Deanna é assim. Deanna era essa grande congressista mas que não esperava ser chefe de estado. Ela era a representante de Ohio. Ela tentou voltar e proteger seus constituintes, mas o exército a encontrou e disse, “Esqueça. Você não pode seguir nessa direção, você morrerá.” Eles deram a ela uma vila abandonada onde os zumbis não desconfiavam da existência humana. Era tudo pitoresco e encantador, e eles começaram a levantar as paredes para se protegerem. Ninguém nunca passou por elas e eles nunca tinham visto um zumbi. Foi uma loucura. Como um oásis no meio do que o resto do mundo está vivendo.

Variety: O episódio anterior foi sobre o medo de Rick do que poderia esperá-los em Alexandria, mas agora parece que Alexandria tem mais o que temer de Rick do que o contrário.

Tovah Feldshuh: Alexandria não está com medo, mas retraída. Eles são cuidadosos. Norman Reedus carrega um arco, Danai Gurira tem sua espada – eles são um grupo variado de guerreiros. Deanna está desesperada para que a comunidade os aceitem para seguir com os planos. É como uma chefe de estado precisando de algum tipo de força militar para preservar e proteger.

Variety: Deanna também conseguiu ver o antes e o depois da barba de Rick. O que você achou dele sem barba?

Tovah Feldshuh: Ele é lindo! Ele tem um rosto ótimo, quanto mais eu puder ver melhor. Fiquei feliz que ele raspou aquilo. O marido de Deanna é barbeado, ela gosta de homens sem barba. Acho que ela ficou muito feliz quando viu que ele havia se barbeado.


Variety: Você teve a oportunidade de trabalhar com vários protagonistas da série nesse episódio – você teve algum parceiro de cena favorito ou alguém que mais a surpreendeu?

Tovah Feldshuh: Isso é que é espetacular, eles são todos muito bons. De verdade, sou bem direta, venho de Nova Iorque. Eu entrevistei todos eles. Estava atrás da câmera e fazia as perguntas. Achei que eles foram notáveis. Steven Yeun quase não tinha falas e foi ridículo como ele se saiu bem. Ele tem uma carga de contexto tão grande em seu trabalho, foi extremamente tocante. Não teve nenhuma exceção.

Variety: Que tipos de reações você ouviu das pessoas quando disse que faria parte de The Walking Dead?

Tovah Feldshuh: Não pude contar a ninguém até o dia 19 de fevereiro, quando tive a permissão para anunciar no meu novo número de trabalho. Eu comecei um novo show chamado “Envelhecer é Opcional”, porque espero Deus que seja. Amo a peça, era uma grande casa noturna, 45 Below, que cabiam 150 pessoas por performance.

(Durante a peça) eu disse, “Eu sei que envelhecer é opcional desde que tive um agente. Querem alguém para Santa Joana D’arc? Sou eu. Querem alguém para Golda Meir? Sou eu. Querem alguém para um papel importante em The Walking Dead a partir do dia 01 de março? Sou eu. Não, sério, sou eu.” As pessoas gritaram. Elas gritaram. Foi algo poderoso. Elas enlouqueceram. Foi muito empolgante para mim. Meu sonho era ter um papel de importância na televisão, e ele veio. Ficarei honrada de ficar com ele por quanto tempo eles julgarem necessário.


Variety: O que levou você a escalar o Monte Kilimanjaro?

Tovah Feldshuh: Duas coisas. Minha querida mãe morreu com 103 anos há seis meses. E meu último trabalho na Broadway foi o musical Pippin onde eu fiz um número completo com trapézio e cante de cabeça para baixo – foi um dos papéis mais brilhantes que eu já fiz. Depois de Pippin meu corpo ficou mais forte e atlético. Eu tive a ideia de escalar o Kilimanjaro com meu filho, ele é um atleta maravilhoso. Cinco anos atrás nós fizemos uma trilha de gorilas juntos em Uganda. Ele é meu companheiro de aventuras.

Especialmente agora que minha mãe partiu eu realmente sinto que só temos essa vida. Só queria ter dinheiro o suficiente para comprar experiência. Eu posso renunciar a um vestido, mas a ideia de fazer uma viagem e escalar o Kilimanjaro, ou passar pela ferrovia Transiberiana, ou rastrear lêmures em Madagascar – essas coisas são muito emocionantes para mim. Conhecer o mundo até que eu deixe esse corpo. É agora ou nunca mais.

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