sábado, 28 de março de 2015

REVIEW The Walking Dead S05E15 – “Try”: Meu Primeiro Amor


Por: Edely Gomes (do site Walking Dead BR)

“Try” é um daqueles episódios em que somos lembrados de qual a real essência da série: os seres humanos e suas relações. Claro, os zumbis estão ali, mas eles não passam de um pano de fundo. Quem mais prova este argumento é Carl e sua primeira paixão. Por um momento, nem a horda de zumbis vagando na floresta parece não existir. A companhia de Enid é o que importa, afinal, Carl é só um garoto.

Da mesma forma, toda a lógica adotada por Rick nas últimas temporadas se desvaneceu quando ele começou a se importar com Jessie.

Não é provável que Deanna vá exilar Carl e Judith juntamente com Rick, mas o fato é que ele pôs em risco a segurança de sua família e de seu grupo por Jessie. Para alguém que se acostumou a ser pragmático e determinado pela segurança de seus filhos, esta atitude parece ser um contrassenso que só se justifica pelo fato de Rick realmente estar apaixonado por ela.

Por outro lado, a forma como a comunidade de Alexandria tem lidado com as agressões de Pete demonstram qual a verdadeira noção de civilização que Deanna tinha em mente. Num lugar em que todos possuem uma função, a função de Jessie era apanhar calada do marido.


O problema é que quando a posição de Deanna é colocada em contraponto a de Rick, percebe-se que elas não são tão antagônicas assim. Trata-se de puro pragmatismo adotar a lógica “nós decidimos quem vive e quem morre” e começar a executar “criminosos”. Em contrapartida, também é bastante pragmático permitir que apenas uma pessoa sofra para que o restante da comunidade possa usufruir dos serviços do cirurgião.

Dilemas como este não são novidade na série. Pena de morte, suicídio, eutanásia, aborto e violência doméstica foram os assuntos abordados ao longo das temporadas. Lá na segunda, Lori teve que escolher entre interromper a gravidez ou trazer uma criança a um mundo completamente devastado. Também temos que nos lembrar de Jacqui, que decidiu terminar sua jornada com a explosão no CDC. Já Carol foi responsável por realizar uma espécie de eutanásia preventiva ao lidar com os doentes da prisão. Mas é com Shane que Rick mais tem se assemelhado nos últimos episódios. Parece até que seu discurso durante a briga com Pete é uma releitura do que foi dito por seu antigo amigo três temporadas atrás.

Tais exemplos mostram que, embora a série parta de uma premissa improvável – um mundo tomado por mortos vivos – ela consegue lidar com temas. Num ambiente completamente extremo, qual seria a decisão mais acertada? Se num mundo como o nosso – que não é nenhum paraíso, mas também não é o apocalipse zumbi – não é fácil fazer tais escolhas, como seria num cenário em que civilização e leis são conceitos cada vez mais distantes?

No fim das contas, Michonne fez um favor a todo mundo e fomos poupados de ver Rick realmente levando a cabo sua escolha, pelo menos por enquanto.


Observações:

– A cena de Carl e Enid é bastante fofa, mas bem irreal. Por muito menos, walkers já perceberam a presença de carne viva.

– Sasha está passando por um momento tenebroso e eu realmente torço para que isso a torne mais forte como Carol ficou após sucessivas perdas.

– Uma mulher atada viva a uma árvore e morta por zumbis. Parece que alguém andou ouvindo as ameaças de Carol e resolveu mandar ver.

– Por falar nisso, está não é a primeira vez que o grupo cruza com corpos dilacerados ou com a letra W marcada na cabeça dos zumbis. Tudo indica que este será o próximo grande desafio dos sobreviventes tão logo eles resolvam suas diferenças.

Próximo domingo é season finale e tudo indica que será uma das mais impactantes até agora. O problema é que a quarta lei de Newton diz que não existe season finale sem morte de um personagem importante. E aí, quem você acha que não vai estar presente na sexta temporada e qual será o destino de Rick? Deixe sua opinião abaixo, mas nada de spoilers.

Até mais!

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