quinta-feira, 12 de março de 2015

REVIEW The Walking Dead S05E13 – “Forget”: Crise de abstinência


Era de se esperar que em “Forget” houvesse pouco risco para os nossos heróis, agora que o grupo está dentro dos muros. Mas nem por isso há paz. De fato, cada um tem buscado uma maneira de lidar com a aparente calmaria em que agora se encontram, o que torna uma experiência e tanto ver os seus personagens favoritos assumirem posições ameaçadoras.

De longe, Carol tem sido uma das figuras mais interessantes. A forma como ela utiliza sua aparente fragilidade para explorar as fraquezas em Alexandria, chega a ser sinistro. Não que ela vá de fato amarrar Sam a uma árvore (?). Entretanto, o simples fato dela conseguir dizer isso para o garoto, naquele ambiente, de uma forma tão calma, demonstra que Carol não está brincando.

Igualmente Rick, com seu sorriso, barba feita e farda de policial. Nem de longe ele é aquele cara da primeira temporada, embora sua aparência exterior relembre os bons tempos. A forma como ele aparenta estar se encaixando e como ele realmente tem tramado seus passos (pelo bem de todos, é claro), mostra quão longe ele chegou.

Já Daryl fez o caminho oposto. Primeiro ele estava arredio, mas já sinaliza aproximação. Talvez isso enfraqueça Rick e sua pequena conspiração, agora que seu sidekick parece ter encontrado um lugar em Alexandria, através de um trabalho que não vai exigir tanto entrosamento com os moradores, mas ainda o manterá útil e alerta.


Definitivamente passamos do ponto em que Alexandria possa representar algum perigo. Seus moradores são tão mal acostumados ou sortudos que nem se dão ao trabalho de manter vigias na torre. No caso de uma invasão, seja de walkers seja de pessoas, nenhum desses moradores tem chances reais de sobrevivência. Eles passaram tempo demais dentro do aquário. E até mesmo nisso eles têm sorte, pois Rick e seu grupo estão lá agora.

O que não deixa de ser desconfortável e até mesmo desafiador para os que acabaram de chegar. Alexandria é uma comunidade segura, em que as pessoas estão alheias ao horror que acontece no mundo. Um perfeito subúrbio americano. Tanto antes do Apocalipse, quanto agora. O que torna o entrosamento de personagens como Daryl ainda mais difícil.

“Pessoas são pessoas”, diz Aaron. O caos lá fora pode criar até algum senso de pertencimento entre os mais diversos tipos de indivíduos, mas o fato é que se eles pretendem recriar algum tipo de civilização dentro dos muros, conflitos envolvendo raça, gênero e orientação sexual estão passíveis de aparecer ou ao menos causar algum tipo de tensão.

E é claro, a tensão causada pela diferença do modo de vida que eles estavam acostumados na estrada e a calmaria de Alexandria não é algo que possa ser varrido para debaixo do tapete por causa de um jantar agradável. Como bem demonstrou Sasha, os conflitos que todos estão tentando esquecer vão se manifestar de alguma forma e algo me diz que vai ser Rick quem vai dar o primeiro tiro.


Observações:

– Eu quase aplaudi quando Sasha surtou no jantar. As conversas soavam fúteis até mesmo para os padrões pré-apocalipse.

– Padre Gabriel não aparece há pelo menos dois episódios. Tara também não deu o ar das graças. Isto não é um ruim, na verdade é um reflexo da quantidade de personagens que hoje a série possui o que só aumenta a riqueza da trama.

– Caso esteja se perguntado, a música que toca na cena em que Rick, Carol e Carl chegam à festa é “Gymnopedies nº 1″ de Erik Satie. É como se os produtores estivessem gritando: “Não. O povo de Alexandria realmente não tem grandes preocupações!”

– Michonne pendurou a espada. É um ato simbólico, claro.

O próximo episódio será “Spend”. Até lá compartilhe suas impressões sobre o entrosamento do grupo e não se esqueça de não postar spoilers, por que senão…

“Uma manhã você vai acordar e você não vai estar em sua cama. Você vai estar fora dos muros, bem longe, amarrado a uma árvore.”

Nenhum comentário:

Postar um comentário