domingo, 15 de fevereiro de 2015

The Walking Dead 5ª Temporada: Scott M. Gimple explica a midseason premiere louca e trágica


[ATENÇÃO!! ESTE CONTEÚDO CONTÉM SPOILERS DO EPISÓDIO S05E09 – “WHAT HAPPENED AND WHAT’S GOING ON“!]

Foi uma midseason première com partes iguais de NOOOOOSSA! e NÃÃÃÃOOOOOO! Tinha flashbacks, flash-forwards, e mais alucinações do que uma convenção de Timothy Leary. Coloque tudo junto e “What Happened and What’s Going On” representou uma hora que pareceu mais um poema no formato de um episódio de televisão – e essa hora nos mostrou a luta interna de Tyreese (Chad L. Coleman) através de varias visões e imagens que representaram os momentos finais do gigante gentil depois de ter sido mordido por um zumbi.

A Entertainment Weekly conversou com o homem que escreveu o episódio e showrunner de The Walking Dead, Scott M. Gimple, para descobrir suas inspirações, por que ele matou Tyreese, e o que vem pela frente.

EW: Então, por que era a hora de Tyreese partir?

Scott M. Gimple: Essa pergunta é muito difícil para qualquer personagem. Sabe, porque era a hora de Hershel partir? Porque era a hora de Bob? Quero dizer, porque não existe resposta certa ou errada com estes assuntos. Eu diria que era a hora dele partir pelo que a história dita – não apenas naquele momento, mas para o futuro também, e a maneira que a história se desdobra a partir desses momentos. Mas é muito difícil, sabe? Não existem respostas certas ou erradas – é apenas o que a história parece nos contar à medida que avançamos. Certamente não foi porque ele não mostrou humanidade pelo caminho, porque ele mostrou, e não foi necessariamente resultado disso. Mas a maneira como isso influencia a história quando avançamos tem muito a ver com por que aconteceu quando aconteceu.

EW: Fale sobre como foi contar a novidade para Chad L. Coleman, porque eu sei que isso não é nada divertido.

Scott M. Gimple: Eu estou sempre cansado de falar sobre isso, porque é muito pessoal e eu me preocupo com isso parecer meio que um reality show – como ser votado para sair da ilha ou algo assim. Quero dizer, não é. Nós encaramos isso com muita, muita seriedade. Chad, durante todo o tempo que passou na série, foi maravilhoso. Nós temos um elenco fantástico com pessoas muito talentosas, muito profissionais, e muito afetuosas – e esses personagens que eles interpretam vivem nesse mundo incrivelmente perigoso no qual as pessoas morrem. Não tem uma pessoa no show que eu queira ver partir, e isso é muito estranho. Sabe, por trás das câmeras em programas de TV as coisas podem ser bem dramáticas, e as pessoas não se dão bem e tal. Esse não é o caso aqui. Mas este é um show onde as pessoas morrem regularmente. É uma coisa bastante difícil.


EW: Vamos falar sobre o episódio em si. Vocês tiveram personagens como Daryl e Rick que tiveram alucinações no passado, mas nunca algo perto do escopo e tamanho do que vocês fizeram aqui. Fale sobre a decisão de ter a luta interna de Tyreese mostrada através dessas visões. Não apenas as visões, mas a transmissão de rádio também.

Scott M. Gimple: Me aproximando deste episódio, eu realmente queria fazer isso certo para o personagem, eu realmente queria fazer isso certo para Chad, e eu realmente queria dar a Greg (Nicotero) algo em que fincar seus dentes de diretor. Era importante pra mim que, de muitas formas, este episódio mostrou que Tyreese não se arrependia da maneira como estava lidando com este mundo e que ele sempre se manteve forte. Tem esse livro “Visions, Trips, and Crowded Rooms”, de David Kessler, que falou com vários médicos, enfermeiras e profissionais de “fim da vida”, que falaram sobre onde as pessoas veem pessoas de suas vidas antes de morrer – era uma história que profissionais médicos ouviram muitas vezes. Eu acho que os momentos iniciais de trabalhar neste episódio eram meio que “Oh, esta é a história”. Quando as coisas se encaixam assim, e o universo está te dizendo algo, eu ouço.

EW: Você também usa muitas imagens de flashback e flash-forward. Começando pelo início, nós vemos imagens de lugares como a prisão e Woodbury, os trilhos na estrada – lugares do passado de Tyreese misturados com imagens que em certos pontos nós ainda não entendemos, como as da casa de Noah. Eu suponho que elas também funcionam como uma janela para o que Tyreese está vendo e sentindo naqueles momentos finais?

Scott M. Gimple: Sim, com certeza, e esse foi outro aspecto disso, onde eu queria sentir a experiência completa de Tyreese neste episódio. Eu queria que a audiência sentisse a experiência de Tyreese pelos seus olhos tão profundamente quanto nós pudemos fazer, e eu queria explorar isso eu mesmo. Eu escolhi fazer isso com tanta força quanto conseguisse. Eu tirei muita inspiração dos quadrinhos que li quando era novo – de uma forma que Alan Moore brincaria com o tempo e Neil Gaiman e Frank Miller. E depois que estava pronto, eu pensei “Oh, isso parece com aqueles quadrinhos que me enlouqueciam quando estava crescendo”. Eu acho que estava tentando emular esse tipo de coisa.


EW: Eu realmente gosto quando tem uma grande morte em um momento completamente inesperado, e isso foi usado de algumas formas aqui. Primeiro, vem logo depois de um episódio onde já tivemos a perda de uma personagem grande, que era Beth, então ninguém está esperando que isso aconteça de novo tão rápido. E então também a maneira como aconteceu, tão repentinamente. Aquele segundo em que Tyreese meio que se perde enquanto olha aquela foto e está descobrindo aquilo e então de repente – BOOM! Eu dei um pulo e não estava preparado para aquilo de forma alguma.

Scott M. Gimple: Você está certo, foi absolutamente um simples momento de baixar a guarda por um segundo que foi tempo demais. Se ele tivesse percebido um segundo antes tudo estaria bem. E nós vimos personagens perderem membros antes. Estava fora das possibilidades ele passar por aquilo? Eu acho que boa parte da história emocional reflete como ele pode ter morrido – é meio que o ovo e a galinha. A mente dele estava desistindo porque ele estava, ou ele simplesmente estava pronto para partir? Ele diz no carro “desligue isso”. E na minha cabeça, quando ele diz “desligue isso”, ele está decidindo que cansou. Ele se vai quase imediatamente depois disso.

EW: Deixe-me fazer mais algumas perguntas sobre o episódio. Nós vimos algumas imagens de partes de corpos e um monte de cabeças caindo de uma caminhonete. Isso pode estar ligado com algumas coisas que temos visto pela estrada? São coisas que vão se conectar em uma situação maior?

Scott M. Gimple: Sim, tem coisas acontecendo neste episódio que se encaixam em uma imagem maior. Tem muitas coisas neste episódio que são o começo de coisas.

EW: Foi um aceno bacana para a Wiltshire Estates dos quadrinhos, com a comunidade Shirewilt aqui.

Scott M. Gimple: Eu fui na internet para ver se Shirewilt existia, como um lugar ou uma palavra. Eu encontrei algumas Shirewilts. Não era completamente aleatório.

EW: Quanto tempo se passou desde o hospital? Porque eu não consigo imaginar fazer um bom tempo percorrendo 800 km no apocalipse zumbi.

Scott M. Gimple: Eu sei quanto tempo se passou de forma geral. Eu tenho um pouco de medo de falar definitivamente, mas sim, eles foram de Georgia até Virginia, então levou um bom tempo, mas não foram anos de viagem. Mais para cerca de duas semanas.


EW: Nós conversamos recentemente sobre como suprimentos e comida seriam uma questão este ano. E o combustível? Pode ter muitos tanques cheios largados neste ponto. É nisso que eu estava pensando quando falamos de viajar 800 km. Eu estava “como eles estão encontrando tanto combustível?”

Scott M. Gimple: Na verdade, em relação ao combustível, existem muitas pessoas mortas. E existem muitos carros largados, então o mundo está cheio de combustível. Agora, nós poderíamos pegar mais pesado e pensar “quanto tempo a gasolina dura neste mundo”, sabe? A data de validade, questões de evaporação… mas eu não irei tão longe porque eu não quero puxar esse assunto ainda. Eu direi que a maioria das pessoas no mundo – a maioria esta morta, e todas essas pessoas deixaram muita coisa pra trás.

EW: Robert Kirkman me disse que ele pensou que esse episódio poderia ser amado e odiado pelos fãs. Qual você acha que vai ser a reação?

Scott M. Gimple: Eu apenas espero que as pessoas sintam a profundidade quando assistirem. Pelo menos é o que estamos buscando. Quero dizer, eu não quero que ninguém fique psicótico sobre o que transpira no episódio. Este show é uma longa história e está sendo construído rumo a algo, e eu não acredito que seja uma história niilista. Até mesmo as coisas que Tyreese estava dizendo neste episódio são muito afirmativas e positivas e humanistas, e estão desafiando os personagens a continuar depois de perder alguém assim – e a acreditar que o mundo não é só morte e fraqueza e escuridão. É um teste para os personagens, e eu imagino que seja um teste para a audiência, que é – não é brincadeira. Este mundo que estes personagens habitam é fisicamente perigoso e perigoso para a alma e perigoso para a sua perspectiva, mas você precisa lutar para se manter vivo, e para permanecer você mesmo, para continuar sendo alguém que consegue olhar para o futuro. E as coisas são difíceis para estes personagens. Mas o fato de que eles continuam em frente e continuam lutando e continuam tentando continuar humanos é uma coisa incrivelmente positiva. Mas não vai ser fácil para eles, e é isso que os torna heróis na minha cabeça.

EW: É claro que sempre temos que olhar à frente, então o que você pode nos dizer sobre o próximo episódio?

Scott M. Gimple: Eles acabaram de perder Beth e isso foi devastador e destrutivo e doloroso, e então perder Tyreese – essas pessoas estão apanhando muito, e em que momento você desiste? Seja desistir por completo de uma forma física, ou desistir emocionalmente na forma como você vê o mundo ou continua sendo uma pessoa. É isso que eles estão encarando na virada para o episódio 10. E além disso, eles estão em uma situação difícil. Eles estão na estrada agora. Eles tomaram a decisão de ir para um lugar, mas como nós já vimos, nada é tão simples e fácil, então eles têm uma luta, de uma maneira real, prática, física, e eles têm uma luta de uma maneira emocional. Veremos quem vence.

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