quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Análise: Colônia Penal – Episódio 1 de Resident Evil: Revelations 2


Análise por: Ceraldi (REVIL)

Cercado de expectativas, Resident Evil: Revelations 2 teve seu primeiro episódio – Colônia Penal – lançado no início dessa semana. Apostando em um formato episódico para instigar a curiosidade e o debate entre os fãs durante o intervalo de lançamento dos novos episódios, o mais novo capítulo da franquia Resident Evil prometia trazer o que o primeiro Resident Evil: Revelations trouxe e um pouco mais: terror adaptado a uma jogabilidade mais moderna, sensação de perigo constante, mistérios e uma trama com roteiro digno dos melhores seriados de suspense.

Confesso que, apesar do hype geral da comunidade Resident Evil, eu consegui não me deixar pegar por ele e não criei grandes expectativas em cima do jogo, e talvez isso tenha sido a coisa mais acertada que fiz. Mesmo após jogar três vezes a demo (duas builds diferentes), as minhas expectativas sobre Resident Evil: Revelations 2 estavam quase zeradas, apesar de ter gostado do que experimentei nas demos.

Com isso, ao finalmente colocar as mãos no Episódio 1 completo, estava de peito aberto e disposto a aproveitar a experiência que o jogo me proporcionaria, e apesar de conhecer cerca de metade dos dois capítulos (por conta das demos que joguei), tive gratas surpresas com o jogo – o clima de tensão constante que toma conta do jogador a cada nova sala; e principalmente por causa da história e do absoluto clímax que o jogo deixa no encerramento do episódio.

Nem lindo, nem feio, apenas OK…


Um dos pontos mais criticados de Resident Evil: Revelations 2 desde seu anúncio e de suas primeiras imagens e gameplays é a parte dos gráficos. A versão final do jogo, apresenta gráficos superiores ao que foi mostrado nas demos e gameplays que foram divulgados na internet nos últimos meses. Apesar disso, não se pode dizer que essa seja a principal virtude do jogo. No PS4, os efeitos de iluminação e de “fog” (névoa) estão muito bonitos, mas há algumas falhas em texturas e a movimentação dos personagens não é tão natural quanto deveria ser. Vale lembrar que Resident Evil: Revelations 2 é um jogo multi-plataforma (vai sair até pra PS Vita), então não dava pra esperar que ele viesse com visuais matadores, ainda mais se tratando do uso de uma engine já antiga e que está bem datada.

Entretanto, o fato de os gráficos não serem de outro mundo não chega a comprometer. Há muito mais no jogo do que os visuais, e eles, sejam por sua deficiência ou pela qualidade do restante, ficam em segundo plano.

A parte sonora, entretanto, compensa bastante isso. Como é de praxe na franquia Resident Evil, a trilha sonora é muito boa e ajuda a criar climas de tensão e clímax de forma bastante natural. Os efeitos sonoros de uma forma geral, cumprem bem o seu papel mas não chegam a se destacar ou a impressionar.

A dublagem também é outro aspecto que não compromete, destaque para a ausência de Alysson Court, que até então havia interpretado Claire Redfield em todos os jogos que a ruivinha aparece, mas apesar dessa ausência, a voz de Claire não perdeu totalmente sua característica, e mesmo sem Alysson, ainda é possível ouvir a voz de Claire e saber que aquela é mesmo Claire Refdfield. Como já foi visto em diversos vídeos de gameplays e trailer, Moira Burton é a típica adolescente rebelde que fala 10 palavrões a cada 11 palavras. Sua dublagem passa bem esse “espírito” aparente de rebelde sem causa, bem como a voz rouca e pesarosa de Barry nos faz ter a certeza que se trata de um cara com grande bagagem e que passou por diversos momentos complicados. A aparente ingenuidade de Natalia também se reflete em sua dublagem, e faz um contraponto a voz de Barry: é a seda e o concreto, a força e a fragilidade representadas com maestria em suas interpretações vocais.

O ponto negativo da dublagem fica por conta da falta de sincronia entre as falas e o movimento de boca dos personagens durante as cenas in-game. Nas cutscenes cinemáticas esse problema não ocorre, mas como a maior parte das ações e diálogos é em cenas in-game, fica um certo incômodo por essa falta de sincronização.

The Resi-Last of Evil: Revelation-Us


Conceito básico de qualquer jogo de terror e survival horror, a economia de recursos ganhou um aliado importante em Resident Evil: Revelations 2 – a furtividade. Andar agachado e surpreender os inimigos matando-os por trás, é uma das novidades do jogo, em um sistema quase idêntico ao de The Last of Us.

Esse aliás, é só um dos elementos de The Last of Us aproveitados pela Capcom no jogo. Principalmente no capítulo de Barry, nota-se muita influência do jogo da Naughty Dog, a começar pela relação entre Barry e Natalia que lembra um pouco a de Joel e Ellie. Além disso, elementos como a mesa para upgrade de armas, o fato de Natalia usar tijolos para atingir os inimigos e até mesmo a necessidade de se criar itens a partir de elementos brutos, mostra que a Capcom bebeu sim – e muito – da fonte de The Last of Us. Algo que particularmente não acho ruim, já que o título lançado para PS3 em 2013 é um dos melhores jogos de sua geração e executa com maestria diversas mecânicas que trouxeram o survival horror de volta ao cenário dos grandes jogos. Talvez, usar elementos que deram certo em outros títulos seja uma forma de a Capcom flertar com o passado da franquia Resident Evil, mas sem necessariamente trazer de volta elementos antigos e ultrapassados, e ainda assim ter a segurança de se fazer valer de mecânicas consagradas de um jogo consagrado.

Capítulos quase iguais só que diferentes


Os capítulos de Claire e de Barry tem muito em comum e também muita coisa diferente. Em comum há o cenário, a jogabilidade, mecânica geral do jogo a cooperação entre dois personagens, e é claro: o grande elo da história que é a busca de Barry por sua filha Moira. Entretanto, há também muitas diferentes, a começar pelos inimigos, pela quantidade de recursos e também porque aparentemente, as grandes revelações do jogo ficarão a cargo dos capítulos de Barry, com o capítulo de Claire “levantando a bola”.

Claire e Moira acordam na prisão sem recurso algum, e tem de encontrar armas, itens de suporte (faca, pé-de-cabra e lanterna) no decorrer do jogo. Já Barry chega a ilha com um pequeno arsenal, e bem equipado. Isso se reflete nos inimigos, que além de serem mais difíceis no capítulo de Barry, são mais numerosos. Além disso, a furtividade na hora de derrotar os inimigos é mais amiga de Barry do que de Claire, já que com a ajuda de Natalia, é possível identificar inimigos atrás de paredes e portas, e surpreendê-los por trás com um golpe finalizador que não gasta munição. Isso torna, em princípio, a vida de Claire e de Moira muito mais difícil. Apesar de os Afflicted serem relativamente fáceis de matar, especialmente com o auxílio da lanterna de Moira, há momentos em que as coisas podem se complicar, e o uso cauteloso de munição e itens de cura pode ser fundamental para o sucesso, especialmente na dificuldade mais elevada.

Referências ao passado


Só a volta de Claire Redfield e Barry Burton já significa uma homenagem ao passado da série. Dois dos mais clássicos personagens e que a anos não apareciam em um episódio canônico da franquia voltam como protagonistas em Revelations 2. Mas as “homenagens” ao passado não param apenas por aí.

Piadas antigas como a clássica “Jill’s Sandwich” estão de volta só que em versões revisitadas, além disso, Barry Burton mantém seu estilo bonachão, cheio de frases de efeito e entonação vocal quase cômica em certos momentos. O próprio cenário principal do jogo, a ilha, é uma forma de revisitar o passado, e é impossível não lembrar de CODE Veronica, que também tem Claire como protagonista e também se passa em uma ilha. A relação familiar entre Barry e Moira também invoca um pouco do clima de CODE Veronica que tem boa parte de sua história pautada na família Ashford e nos irmãos Redfield, além é claro da relação de Steve com seu pai.

Além disso, a promessa é que outros elementos do passado da série darão as caras em Resident Evil: Revelations 2, a própria Capcom afirmou que a vilã do jogo é alguém que os jogadores conhecem e que os mais “hardcore” certamente a reconheceriam. Cena vista no “Drama Trailer” trazem uma foto de Albert Wesker, e também há elementos que parecem apontar até mesmo para a presença do vírus Uroboros no jogo.

O concreto que sustenta tudo


Valendo-se do formato episódico, a Capcom construiu com maestria o enredo, ao menos no episódio 1. No decorrer dele, muitas dúvidas são criadas e poucas são respondidas, entretanto, conforme vamos caminhando para sua conclusão, as coisas começam a ficar mais claras e o clímax final não deve em nada as grandes séries semanais de TV, como Game of Thrones, Breaking Bad e Lost. A história instiga e praticamente dá um tapa na sua cara, com uma conclusão arrebatadora que faz qualquer um ficar ávido pelo próximo capítulo. O objetivo disso é claro: manter o hype elevado, e gerar debate e troca de ideias e teorias entre os fãs.

O mérito da empresa no enredo é tremendo, e com isso faz com que seja impossível não lembrar dos áureos tempos de Resident Evil com enredos instigantes, cheios de surpresas e reviravoltas, mas tudo seguindo uma linha plausível e sem descambar pro dramalhão mexicano visto em Resident Evil 6.

E aquele final…


Bastante divertido e intrigante durante todo o primeiro episódio, o final do capítulo de Claire dá a deixa que elas estão em um lugar totalmente distante de tudo e absolutamente desconhecido, e deixa a bola quicando par ao início do capítulo de Barry. Entretanto, ao me deparar com o final do capítulo de Barry, os mistérios só aumentam e mostram que nem tudo é o que parece ser.

O clímax deixado por esse final, com certeza fará muitos fãs contarem os segundos até o lançamento do próximo episódio, que acontece a cada semana. Criando cliffhangers que as melhores séries de TV fazem, o desfecho da primeira sequência do jogo mostra que a Capcom estava certa em fazer a aposta de lançar um jogo em formato episódico semanal. Com isso, a empresa cria uma atmosfera de curiosidade, que deve fazer os fãs se unirem em expeculações, teorias e debates sobre o que aguarda no próximo episódio.

Se esse objetivo vai ser atingido, só saberemos com o tempo, mas a intenção é válida e também beneficia uma base de fãs que andava descontente com os últimos jogos, e que começou a ficar com o pé atrás na hora de gastar centenas de reais com um lançamento da franquia. O formato episódico permite que os mais desconfiados, comprem um episódio por vez, gastando menos dinheiro do que com um jogo completo e tendo a oportunidade de aos poucos, confiar na empresa que a alguns anos deixou de entregar os jogos da franquia Resident Evil que todos gostaríamos.

Colônia Penal – Episódio 1 de Resident Evil: Revelations 2


Resumo

Desgastada depois da enxurrada de críticas que Resident Evil 6 sofreu por parte da mídia e do público, no primeiro jogo inédito da franquia Resident Evil desde então, a Capcom resolveu apostar em fórmula e atmosfera que invocam novamente as raízes do Survival Horror. Valendo-se de elementos e mecânicas consagradas nos últimos anos por jogos como The Last of Us e The Walking Dead, a empresa acertou em cheio no primeiro episódio e conseguiu reunir em Colônia Penal, quase tudo que os fãs esperam de um Resident Evil: tensão, sustos, terror psicológico de ser constantemente observado, furtividade, exploração de cenário atrás de recursos e principalmente: uma história que aparenta (ao menos até o final do EP1) ser muito bem roteirizada e amarrada, criando um clímax incrível ao final do primeiro episódio.


Via: REVIL

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