sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

O Canto do Cisne de Beth Greene


[ATENÇÃO!! ESTE CONTEÚDO CONTÉM SPOILERS DO EPISÓDIO S05E08 – “CODA“!]

A “Canção do Cisne” ou “Canto do Cisne” é uma referência a uma antiga crença de que o cisne-branco é completamente mudo durante toda a sua vida, mas pode cantar uma bela e triste canção imediatamente antes de morrer. Ela tornou-se uma metáfora, referindo-se a uma aparição final teatral e dramática, ou qualquer trabalho final ou conclusão e, na expressão popular, serve para descrever um gesto ou esforço final dado pouco antes da morte de um indivíduo.

Beth Greene (Emily Kinney) foi o cisne branco da mid-season finale da quinta temporada de The Walking Dead. O episódio “Coda” trouxe o adeus a jovem de fala mansa, sempre otimista e com um talento especial para cantar para manter a moral dos sobreviventes elevada.

O roteiro cumpriu o significado do título do episódio, encerrando a música, ou melhor, a história de Beth no drama zumbi. A morte dela pode ser comparada a “Canção do Cisne”, pois seus gestos que mostraram a nova maturidade e força alcançadas pela personagem, principalmente no último ato ao, de forma altruísta e mártir, tentar fazer justiça aos reféns do hospital e aos seus ideais antes de sua morte.

Beth foi introduzida no episódio “Bloodletting” da segunda temporada da série. A trajetória dela vai desde uma adolescente com tendências suicidas, passando pelo desenvolvimento de um lado materno, chegando como uma jovem na luta contra zumbis e, principalmente, contra as pessoas distorcidas pelo apocalipse.

Biografia oficial da personagem (site da série pela AMC)


Beth estava morando com seu pai Hershel (Scott Wilson), Maggie (Lauren Cohan) e seu namorado, Jimmy (James Allen McCune) quando o grupo de Rick (Andrew Lincoln) chegou à fazenda. Até então, Beth tinha sido relativamente protegida do mundo apocalíptico. Mas quando Shane (Jon Bernthal) abre o celeiro de Hershel, ela é forçada a enfrentar a morte e reanimação horrível de sua mãe, sendo impulsionada ao quase suicídio.

Com o tempo, ela cresceu mais autoconfiante e tornou-se um membro contribuinte do grupo de Rick. Ela manteve-se próximo ao pai e a irmã e, com a sua proximidade em relação à idade, tornou-se mais amigável com Carl (Chandler Riggs) também.

Beth é uma fonte de otimismo e esperança para o grupo, muitas vezes cantando para ajudar a elevar a moral. Quando a perna de Hershel é amputada após ter sido mordida por um zumbi, Beth repreende Maggie por ser pessimista sobre suas chances de sobrevivência. Beth dedica boa parte de seu tempo a ajudar Hershel ao longo de sua recuperação, e também se torna a cuidadora de Judith, após a morte de Lori (Sarah Wayne Callies). Quando Carol (Melissa McBride) observa como ela é boa com a bebê, Beth sorri. “Sempre quis ser mãe”, diz ela.

Beth, eventualmente, começa um relacionamento com Zach (Kyle Gallner), um dos recém-chegados na prisão. Quando ele é morto, atacado por um zumbi, ela calmamente aceita seu destino. “Eu não choro mais”, ela diz a Daryl (Norman Reedus). “Só estou feliz por tê-lo conhecido.” Ela compartilha este estoicismo (adequação ao destino) recém-descoberto com Maggie quando um vírus mortal se espalha na prisão, infectando Glenn (Steven Yeun), e pondo em risco Hershel, que vai para a enfermaria para ajudar. “Nós não temos que ficar triste”, diz Beth. “Todos nós temos trabalhos para fazer.”

Durante o ataque do Governador (David Morrissey) à prisão, Beth e Maggie assistem com horror quando Hershel é decapitado durante a batalha, em seguida, as irmãs são separadas e Beth foge com Daryl.

Beth e Daryl seguem pelos bosques, acampando e fugindo de zumbis, até que Beth resolve por um objetivo: ter sua primeira bebida. Daryl a leva para uma cabana com um alambique. Os dois se embebedam e Daryl furiosamente a acusa de tratar tudo como um jogo. Depois, os dois conversam na varanda da cabana e Beth compartilha sua visão de seu pai viver uma vida plena e Maggie e Glenn ter um bebê. “Olha como sou idiota”, diz ela. “Era para ter sido assim”, Daryl a tranquiliza. No final da noite, Beth sugere que queimem a cabine em um movimento catártico (libertador).

Beth e Daryl, eventualmente, encontram em seu caminho uma casa funerária bem conservada. Daryl implica que tem sentimentos por ela, mas antes que Beth possa responder, zumbis invadem a casa. Beth corre para fora, onde ela é sequestrada por pessoas que estão dirigindo um carro com uma cruz branca pintada no para-brisa traseiro. Daryl persegue o carro, mas é incapaz de alcançá-lo.

O canto de Beth


As pessoas que trabalham da série iam aos shows de Emily Kinney durante o intervalo entre as temporadas, mas foi somente na terceira temporada da série que Beth pode mostrar o seu talento para a música.

O showrunner da terceira temporada, Glen Mazzara, foi quem mencionou a intenção de Beth cantar na série, com o intuito de fazer com que os personagens tivessem um momento de descanso após a perda da fazenda e tomada da prisão.

A primeira música foi “The Parting Glass”, ao lado da irmã Maggie (Lauren Cohen), no episódio “Seed” da terceira temporada. Ainda nesta mesma temporada, ela cantou “Hold On” de Tom Wait, como um momento especial do episódio “I Ain’t A Judas”.

Kinney diz que ela mesma sugeriu a inclusão de uma das suas canções mais recentes, “Be Good”, de Waxahatchee, que Beth tocou ao piano para Daryl na casa funerária no episódio “Alone” da quarta temporada.

O destaque na quinta temporada


A pergunta “onde está Beth?” rondou por vários meses e foi respondida no episódio “Slabtown”, mostrando que a personagem encontrava-se refém de policiais de caráter duvidoso em um hospital na destruída cidade de Atlanta.

O episódio centrado na personagem mostrou pelos diálogos todas as fragilidades dela, tanto físicas quanto emocionais, mas, também, serviu como uma catarse para Beth, que foi mostrando-se mais forte e confiante no momento mais crítico já enfrentado pelo grupo – a luta contra os humanos.

No episódio “Crossed”, Beth enfrentou verbalmente os policiais, como a líder Dawn (Christine Woods) e o médico, Dr. Stevens Edwards (Erik Jensen), do Grady Memorial Hospital, furtando medicamentos e realizando procedimentos médicos na tentativa de salvar a vida de Carol.

Beth fez a sua última aparição no episódio “Coda”, conversando com Dawn, e, assim conhecendo mais sobre a policial e o sistema do hospital, até que foi chegado o momento de sua morte, acontecendo acidentalmente de forma trágica após defender os seus ideais.

As implicações da morte de Beth


Antes mesmo da estreia da quinta temporada, Scott Gimple, showrunner da série, revelou que a história de Beth iria se abrir e atingir outros personagens. Desta forma, a morte dela levará a alguns interessantes acontecimentos a partir da segunda metade da quinta temporada da série, principalmente a Daryl e Maggie.

Foi claramente observada a forma como Maggie negligenciou o paradeiro da irmã caçula. Mesmo após saber por Daryl que Beth estava viva, ainda no vagão do Terminus, ela não fez menção ao nome da irmã e nem levantou a possibilidade de uma busca à Beth.

[ALERTA DE SPOILERS DOS QUADRINHOS]

Talvez a morte de Beth traga a tona a real explicação para este comportamento de Maggie em relação a sua irmã. Além disso, a tristeza e o remorso (este se a personagem sentir) podem levar à adaptação da tentativa de suicídio de Maggie na HQ para a série televisiva.

[FINAL DO SPOILER]

Em relação à Daryl, em recente entrevista para a TVGuide, o ator Norman Reedus falou que o trágico acontecimento da morte de Beth irá empurrar o personagem para um novo território emocional. É conhecida pelo público a forma como Daryl se fecha emocionalmente quando perde algo ou alguém querido por ele. Mas desta vez, pode ser que não aconteça tanto quanto antes devido ao amadurecimento emocional do personagem atingido durante o período em que esteve ao lado de Beth.

Porém, a forma imediata e irracional com que matou à Dawn, pode já ser um indício deste novo lado do personagem, mais próximo ao de Rick quanto se trata da proteção do grupo. Talvez Daryl não pense mais duas vezes sobre a forma de sair em defesa por um membro de sua família.

Enfim, mesmo após toda a tragédia que se seguiu à queda da prisão, Beth foi a personagem que acreditou na sobrevivência dos demais do grupo, no reencontro deles e ainda ajudou Daryl a recuperar a sua autoestima e confiança em si mesmo abalados com os resultados da batalha contra o Governador.

Beth não pode ver o momento que ela tanto acreditava que aconteceria que era o reencontro entre os membros do grupo. Ela não mais viu Maggie, nem Judith e não teve a oportunidade de terminar sua conversa com Daryl.

Poeticamente, uma das cenas mais bonitas na história de Beth se repetiu de forma triste na sua morte. Sorridentes, Daryl a carregou no colo para um café da manhã na casa funerária, e no hospital, com lágrimas, ele a carrega no colo para concretizar o seu fim em meio a sua família, como ela havia desejado que fosse para o seu pai, Hershel, mas foi dado à ela, o cisne-branco de The Walking Dead.

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