sábado, 11 de outubro de 2014

The Walking Dead - Quinta temporada não terá relação direta com os quadrinhos


Nossa relação com The Walking Dead é conflituosa. Dona de um feitiço de conquista quase impossível de ser superado a despeito de todas as controvérsias que a cercam, estamos lá assistindo-a toda a semana, sob a esperança constante de que o limbo criativo onde ela se colocou se transforme de novo em paraíso. Aquele paraíso que vislumbramos na temporada de Frank Darabont quando essa era a maior promessa da programação televisiva.

Esse é um sentimento constante acerca de The Walking Dead, que na coletiva de imprensa realizada no Festival do Rio exibiu para os presentes um documentário que mostrava a histeria do mundo em torno da série. Isso já determina o primeiro fator imutável do programa: ele é adorado, a despeito de qualquer crítica. O que cerca The Walking Dead, se colocarmos em perspectiva seus impressionantes números, é um senso perigoso de unanimidade. Aquele documentário, com espanhóis, japoneses e africanos em amor profuso pela série, era um lembrete para todos nós de que o caminho trilhado até aqui esteve sempre correto.

Essa é uma afirmação baseada em audiência e popularidade. Mesmo que a terceira e quarta temporadas tenham sofrido duras críticas a respeito de seu ritmo e falta de desenvolvimento, esses números nunca mudaram. Sendo assim, para a bolha onde vivem Gale Anne Hurd (presente na coletiva) e seu time de produtores, a série não precisa fazer nada diferente do que já está fazendo. E podemos culpá-la? Claro que não. A gente está ali, assistindo.

Minha pergunta para ela foi nessa direção. Quis saber se o número de espectadores provocava um senso de confiança muito grande a ponto deles não olharem para o contexto da série em busca de riscos a serem tomados. Sorrindo, Hurd me deu uma resposta longa, em que a síntese das diretrizes criativas de The Walking Dead surgiu no seguinte trecho: "quando alguma coisa está funcionando, você não precisa sacudir tudo".

Palavra de ordem dada, podemos seguir em frente com a certeza de que esse não é um programa dado a ousadias narrativas. Além do "quem-morre-quando", The Walking Dead não pode nos oferecer nada além de sua velha fórmula de fugas, casas vazias e muita filosofia sobre resguardos de humanidade, algo que esteve na pauta das declarações de Chad Coleman, o Tyreese, o tempo todo.


Evidentemente envolvido pelo personagem, Coleman adiantou pouca coisa sobre como Tyreese vai desenvolver-se no quinto ano. A dificuldade de lidar com o perdão concedido à Carol (Melissa McBride) foi a única pista do futuro do personagem. Mas, entretanto, ouvimos muito sobre como ele, enquanto ator, construiu uma ambiguidade para aquele sujeito, que ele mesmo correlaciona também com Daryl (Norman Reedus). Força e uma hesitante ternura, que ele pôde desenvolver bem quando Tyreese precisou cuidar de Judith.

Hudr fez suspense sobre o quinto ano, mas garantiu que o foco dos primeiros episódios será uma nova transformação pessoal sofrida por Rick (Andrew Lincoln), que perdoará a si mesmo por tudo que fez em nome da segurança daquela moribunda pequena sociedade que eles criaram, sociedade essa que serve, segundo Hurd, como justificativa para matar, morrer, condenar e perdoar. É como se fosse a transmutação de um conceito que deveria ser belo, o do amor, mas que foi mutilado pelas circunstâncias. Sob esse aspecto, The Walking Dead continua seguindo com dignidade, metaforizando e correlacionando. Além disso, uma reunião de personagens também foi prometida (com menção ao curioso destino de Beth (Emily Kinney), que apareceu mais um pouquinho no trailer da série exibido junto com o documentário).

Claro que as questões sobre os quadrinhos também foram levantadas. Coleman e Hurd reforçaram que não há uma preocupação constante com a representação direta do que se lê nas páginas e que a presença de Robert Kirkman no set garante isso. Segundo ela, Kirkman não é apenas um nome nos créditos, mas se envolve efetivamente na condução da série. Sendo assim, termos entrado num período da trama em que alguns personagens ainda vivos já estão mortos nos quadrinhos, não pode ser usado como pista pro futuro, sob nenhum aspecto.

No final do dia, o feitiço lançado pelo programa já estava agindo. Fotos, autógrafos, abraços e o sorteio de uma miniatura de um dos pets de Michonne (Danai Gurira), que eu, feliz da vida, ganhei. Saí do meu lugar e fui, com um sorrisão no rosto, pedir para que Coleman (que fez o sorteio) autografasse meu novo item mais amado. Em resumo, é isso que The Walking Dead sempre faz: nos enrola na maior parte do tempo, mas nos derruba com pequenos momentos de catarse.

Via: Omelete

Nenhum comentário:

Postar um comentário