domingo, 24 de agosto de 2014

Produções Nacionais de terror ganham destaque no Canal Brasil


O cinema nacional é conhecido pela maior parte da população apenas pelos seus infinitos filmes de comédias e ação, porém o terror também faz parte do acervo de filmes brasileiros. Apesar de ser um nicho pouco explorado pela maior parte dos cineastas, as produções vem ganhando espaço e conquistando um público fiel.

Para mostrar a população as novas produções do gênero, o Canal Brasil reuniu cinco títulos nacionais que exploram o terror: Encarnação do Demônio; A Capital dos Mortos (2008); Porto dos Mortos (2011); O Guri (2011) e 2013 Menos 1 (2012), de Vitor Baumgratz.

Segunda, dia 11/08, à meia-noite e quinze.


Encarnação do Demônio (2008) (94’) – Após 30 anos sem dirigir um longa-metragem, José Mojica Marins volta às telas com o célebre personagem que o consagrou: Zé do Caixão. Protagonizado e assinado por Mojica, Encarnação do Demônio encerra uma trilogia iniciada com À Meia-noite Levarei Sua Alma (1964) e Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1967). Na obra, o sádico coveiro é finalmente libertado. De volta às ruas, está decidido a cumprir a meta que o levou à prisão: encontrar a mulher superior e, com ela, gerar o filho perfeito. Em 2008, a produção conquistou os troféus de melhor filme nos festivais de Paulínia e do Paraná. O título traz as participações de Zé Celso Martinez Corrêa – como um místico numa visão de Zé do Caixão no purgatório – e Jece Valadão – falecido durante as filmagens –, interpretando um policial que quer vingança. Completam o elenco Milhem Cortaz, Adriano Stuart, Rui Rezende, Cristina Aché, Helena Ignez, Débora Muniz, Thais Simi, Cléo De Páris, Nara Sakarê e Raymond Castile. Josefel Zanatas (José Mojica Marins), o Zé do Caixão, viveu dez anos em reclusão num manicômio e outros 30 na ala de saúde mental da penitenciária estadual. Tornou-se uma lenda no cárcere por sua malévola personalidade. A contragosto e temor de todos, é finalmente solto. Acompanhado do fiel serviçal, o corcunda Bruno (Rui Rezende) refugia-se em um esconderijo subterrâneo numa favela paulistana, encontrando a redenção em torturas e rituais demoníacos. Mais cruel do que nunca, está decidido a encontrar a mulher certa para gerar seu herdeiro ideal, submetendo as candidatas, todas sensuais e corajosas, a rituais canibalísticos, mutilatórios e desumanos entre vermes, baratas e defuntos.

Segunda, dia 18/08, à meia-noite e quinze.


2013 Menos 1 (2012) (71’) – 20 de dezembro de 2012 não seria uma quinta-feira normal. Segundo uma previsão dos povos maias, este temido dia seria o último antes do final dos tempos. Apesar das especulações, notícias e do temor geral, quando o relógio chegou à meia-noite, nada aconteceu. Mas e se tudo tivesse se confirmado? O diretor Vitor Baumgratz respondeu a esta pergunta criando o que, para ele, seria o resultado daquela noite. 2013 Menos 1 mostra um grupo de jovens reunidos para celebrar a data. Uma festa, sete amigos e todos os elementos a que se tem direito. Algumas bizarrices dão o tom do evento: tempestade solar, zumbis, terremotos, um polvo gigante e a luta entre o bem e mal são algumas delas. Produzido de forma independente, a película mistura terror e comédia com uma pegada trash. Dentre os personagens surreais, está um nerd que espera ansiosamente o apocalipse munido de um kit de sobrevivência com alho, espelho e cruz; um devoto que preza pelo casamento e pela castidade; uma patricinha e uma geek apaixonada que se envolvem e até Jesus Cristo. Vitor Baumgratz ainda foi responsável pela edição e divide o roteiro com Daniel Barosa. O longa-metragem, todo rodado em uma cidade do interior de Minas Gerais durante 19 dias, foi exibido no CineBrasil – Brasilianische Film Festival, de Berlim, no Festival Internacional de Cinema Fantástico da Catalunha, na Espanha, no Festival Internacional de Cinema Fantástico, de Porto Alegre, e também foi selecionado para abrir o holandês BUTFF – B-Movie, Underground and Trash Film Festival.

Segunda, dia 25/08, à meia-noite e quinze.


O Guri (2011) (95’) – O título traz uma temida lenda folclórica para as grandes telas do cinema. Assinado por Zeca Brito, o filme ganhou destaque na crítica e, segundo o teórico Jean-Claude Bernardet, marca “o nascimento de um novo talento cinematográfico no Brasil”. Filmado em Bagé (RS), o projeto foi realizado de forma coletiva com a colaboração de recém-egressos da universidade. Primeiro longa-metragem do diretor, O Guri foi exibido em mostras fora do país e levou o prêmio de melhor trilha sonora no Festival Internacional de Cinema Fantástico de São Paulo em 2011. É tempo de guerra em terras gaúchas e, graças à ausência dos homens, são as mulheres que governam a fronteira. Lucas (Lucas Domingues) é o único que restou, mas ainda é um menino. Entre a infância e a adolescência, com 12 anos de idade, o personagem passa por um momento de descoberta do eu e da sexualidade. Apesar da pouca idade, uma maldição já se anuncia: o jovem é filho do sétimo filho homem. Muito religiosa, sua mãe prefere não acreditar que Lucas possa se transformar em lobisomem. Sem entender direito o que acontece, mas percebendo sua anormalidade, o garoto é constantemente tomado por sentimentos e desejos obscuros. O lado assassino se manifesta, assim como seu aflorar sexual e vontade de poder. Diante de tantas descobertas, ele fica frente a frente com a loucura. O responsável por toda essa mistura de terror psicológico e drama é Zeca Brito. O cineasta, escritor e roteirista já foi premiado por suas xilogravuras, curtas-metragens e videoclipes.

Segunda, dia 01/09, à meia-noite e quinze.


A Capital dos Mortos (2008) (85’) – Assinado por Tiago Belotti, o título começa em Turim, na Itália, quando Dom Bosco teve uma visão sobre a construção de Brasília. O sacerdote previu que a raça humana estava prestes a ser testada e o local prometido seria o palco do evento. O padre foi avisado que um processo de três gerações começaria no dia de sua morte. Nas duas primeiras, as atitudes dos homens seriam avaliadas e sentenciadas.

A trama aborda o início da terceira, quando a profecia foi cumprida. Totalmente independente, o diretor brasiliense fez uma pérola do trash nacional com esforço coletivo e voluntário. O longa-metragem conta a história de um grupo que tenta estruturar um plano de sobrevivência ao perceber que a cidade está sendo tomada por criaturas apocalípticas. Lucas (Gustavo Serrate), a irmã Pamela (Laura Moreira) e os amigos André (Pablo Peixoto) e Cris (Yan Klier) estão no meio de uma infecção de zumbis e buscam um lugar seguro para fugir da epidemia. As referências a George A. Romero – mestre americano do gênero – são constantes, desde pôsteres colados na parede a famosas citações interpretadas pelos personagens. A frase “Quando o inferno estiver lotado, os mortos caminharão sobre a terra”, que abre Madrugada dos Mortos (1978), de Romero, é considerada a razão de existência do filme. Dois cineastas brasileiros também são homenageados e fazem pequenas participações na obra: José Mojica Marins, o Zé do Caixão; e Afonso Brazza, o Rambo do Cerrado.

Segunda, dia 08/09, à meia-noite e quinze.


Porto dos Mortos (2011) (89’) – E se um filme tiver em sua trama samurais, índios, zumbis e um serial killer? Assinado por Davi de Oliveira Pinheiro, o longa-metragem independente é uma mistura de horror trash, faroeste e road movie existencial. Vencedor de três prêmios internacionais e selecionado para mais de 30 festivais ao redor do mundo, Porto dos Mortos alcançou status de obra cult no cinema de gênero. O diretor transforma o mundo em pano de fundo para uma história de busca e vingança. O enredo acompanha a jornada pós-apocalíptica do Policial (Rafael Tombini) que caça um assassino conhecido como Passageiro (vivido ora por Tatiana Paganella, ora por Adriano Basegio). O casal adolescente Atirador (Ricardo Seffner) e Nina (Amanda Grimaldi) são as primeiras almas vivas a cruzar o seu caminho. Os jovens também têm contas a acertar com o maníaco e querem a retaliação. Rodado na cidade de Porto Alegre (RS) e traduzido através de uma narrativa de ficção científica e terror de apelo popular, Porto dos Mortos é extremamente inventivo, tendo seu argumento preenchido por vários tipos exuberante. O título é uma experiência única no teatro do absurdo e conta uma incrível jornada através de um universo hipnotizante e cheio de mistérios.

Se você ainda não viu, veja os cinco filmes de zumbis nacionais para você assistir antes do apocalipse começar.

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