quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Analisando o contraditório episódio “Still” da 4ª temporada – pior ou melhor episódio?


Enquanto acontecia o Oscar 2014 e as celebridades riam, comiam pizza e faziam a selfie mais famosa e mais cara do mundo, o canal AMC levava ao ar, no mesmo dia e horário, mais um episódio da quarta temporada de The Walking Dead.

“Still” foi assistido por 12,61 milhões de telespectadores e sendo a primeira vez, em toda a história da série, em que um episódio se concentrou em apenas dois personagens regulares. Entre os protagonistas da série, apenas Daryl (Norman Reedus) e Beth (Emily Kinney) estrelaram o episódio.

De todos os lugares em que a série é transmitida, chegaram críticas e comentários como: “Possivelmente o pior episódio de toda a série até agora”, comentou um fã do Reino Unido; ou “Através deste episódio aprendemos mais sobre Beth e Daryl, algo que não teríamos a chance de fazer alguns dias atrás. Um dos melhores episódios de uma excelente série de TV!”, comentou uma fã americana. Estava estabelecido que “Still”  era um episódio em que o telespectador ou o amava ou o odiava.

O site Internet Movie Database (IMDb) deu, a partir das notas dos visitantes, a média de 6,8 a “Still”, sendo a menor entre todos os episódios da quarta temporada de The Walking Dead.

Em relação à crítica especializada, Roth Cornet da IGN deu ao episódio a nota 8,5 com uma crítica positiva, comentando que foi “alguns dos momentos de caráter mais fundamentados e envolventes de toda a temporada”. Zack Handlen de O AV CLUBE deu um “B” (8- 8,9), enfatizando o ritmo lento do episódio, mas comentando positivamente sobre a sequência de abertura e a cena final do episódio, e que ele “tem seus momentos, mas a falta de progresso deixou o episódio sem resultados efetivos, que o impede de ser um sucesso”.


Para os seus registros, o canal da AMC lançou uma pergunta aos telespectadores da série: “qual é o seu episódio preferido da quarta temporada de The Walking Dead?” Com 87.137 votos, “Still” ficou em primeiro lugar na preferência dos fãs.

Diante disso, “Still” tornou-se a verdadeira contradição de toda a quarta temporada da série. O episódio e as performances dos atores foram subestimados pelo público, recebendo críticas negativas, considerado um episódio mediano, mas ao mesmo tempo foi, em pesquisa aberta, o preferido dos fãs.

Dissecando o episódio, o roteiro deixa de fora a história principal da série e a ação, mostrando que apesar das diferenças superficiais, a semelhança dos personagens reside no seu sentido intenso e recíproco do direito de sentir a perda, escondido inicialmente por qualquer otimismo de Beth ou o desolamento de Daryl, ambos emocionalmente destroçados, mas encontrando esperança e coragem através um do outro.

Até aquele momento da temporada, Beth não tem uma história definida e capacidade de luta limitada, cabendo à personagem apenas cuidar de Judith.
Enquanto Daryl ocupa um lugar de liderança no conselho da prisão, encontrando pela primeira vez uma verdadeira família e desenvolvendo sua autoestima. Porém vem a queda da prisão e se forma a dupla mais improvável da série, sendo a oportunidade perfeita para os roteiristas explorarem os dois personagens.


Daryl culpa-se pela perda da prisão, mas, especialmente, por Rick e Hershel, ignorando uma Beth que tem a consciência de sua fragilidade e sabendo que podendo morrer a qualquer minuto, procura pela sua última chance de esquecimento ao qual fora apresentada pelo seu pai: a bebida.

É neste ponto que “Still” torna-se um episódio catártico para os personagens, indo de encontro ao passado de ambos. O jogo “Eu nunca” se encaixou muito bem no roteiro, pois rapidamente nos mostra sobre como Daryl e Beth eram antes da virada, e que “Nós nunca” soubemos muito sobre seus personagens.

O confronto entre eles nos mostra que Beth sabe que é fraca em comparação com as outras personagens femininas na série e, inconscientemente, força um atormentado Daryl, a se abrir tanto para ela como para ele mesmo.

A garota desajeitada e estranha, que cantava na prisão se mostra mais interessante depois que o mundo dela ruiu, demonstrando uma força de consciência e, de certa forma, salva Daryl de escorregar irrevogavelmente em sua dor e potencialmente perder de vista a sua humanidade de novo.

A cena final do episódio chega a ser poética, com os personagens queimando a cabana que representa a libertação dos seus passados e o início da nova jornada, com um olhar forte, determinado e doce de Beth, e um meio sorriso de Daryl, aceitando que ao seu modo tem seu valor.

Esta aceitação vem acompanhada da canção “Up the Wolves”, de The Mountain Goats, que resumiu todo o episódio:

“Não é obrigado a ser um fantasma na parte de trás de seu armário, não importa onde você mora, haverá sempre algumas coisas, talvez várias coisas que você vai achar muito difícil perdoar, mas vai chegar um dia em que você vai se sentir melhor.”

O episódio mostra o direito de sentir a dor e a perda de diferentes formas e o quão poderosa é a forte consciência de Beth chegando a ser mais válida que a força física de Daryl, diante do desespero e da esperança, que podem ser mais intensos do que a luta contra os zumbis.

Felizmente, este é um episódio onde The Walking Dead se saiu muito bem, levando a história a outro nível e dando significado, profundidade, um motivo para continuar assistindo, imaginando e esperando.

Qual seria a sua avaliação para “Still”? Você acredita que o episódio foi fundamental tanto para a série quanto para os personagens ou ele poderia simplesmente não ter existido? Deixe sua opinião nos comentários abaixo.

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