segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A História dos Zumbis no Cinema



Como tudo começou

Existem diversas teorias sobre quando os zumbis começaram a assolar a Terra (sim, essas teorias existem na vida real), mas vamos focar na sétima arte e falar um pouco sobre quem é George A. Romero. Conhecido como o mestre dos zumbis, ele pegou a ideia apocalíptica do livro Eu Sou a Lenda, aquele mesmo que Will Smith estrelou nas telonas, e a transformou no filme A Noite dos Mortos-Vivos. Ou seja, saíram os vampiros do livro e entraram mortos que se levantam de seus túmulos para comer carne humana, com dificuldade em andar por conta da decomposição de seus corpos e que só sabem grunhir. Na época da estreia do longa, ainda não havia censura por faixa etária nos filmes, ou seja, a produção foi vista até por crianças que ficaram perturbadas com as cenas de violência explícitas e ausência de um final feliz. O transtorno causado na sociedade americana não impediu o sucesso do estilo, mais cinco filmes de zumbis foram produzidos por ele ao longo dos anos: Despertar dos Mortos, Dia dos Mortos, Terra 
dos Mortos, Diário dos Mortos e A Ilha dos Mortos.


O lado social de Romero

Os filmes de Romero possuem um lado social que vai muito além do terror e dos zumbis. Evidenciar os problemas da sociedade, seja em um mundo apocalíptico ou não, passou a ser até mais importante do que os próprios comedores de carne humana. Porém, essa característica marcante do cineasta começou “meio que sem querer”.

Colocar Duane Jones, um negro que jamais havia atuado, como protagonista de A Noite dos Mortos-Vivos, uma produção da década de 1960, liderando e dando ordens a um grupo de brancos, foi uma atitude muito ousada para o público da época. Mas para Romero, Jones era apenas um bom ator que aceitou o baixo cachê.

O cineasta gostou da repercussão de suas ideias “subversivas” e passou a adotá-las de forma proposital. Em Despertar dos Mortos, ele mostra que os membros de uma sociedade capitalista já são zumbis que perambulam pelos corredores de um shopping center, com seus olhos fixos nas vitrines.

Enquanto Dia dos Mortos traz a loucura do homem na busca incansável pelo poder e pelo topo das hierarquias. Já Terra dos Mortos é uma crítica social escancarada, mostrando uma sociedade dividida entre quem tem dinheiro e quem não tem, deixando a lição de que todos não passam de comida de zumbis. Diário dos Mortos mostra a invasão tecnológica em nossas vidas e como a verdade pode ser escondida por “forças maiores”. Por último, A Ilha dos Mortos mostra como opiniões diferentes podem resultar em um conflito ainda maior que a necessidade de sobrevivência.

Em todos os filmes de George A. Romero, o caos da sociedade, a degradação do ser humano e a busca pelo poder são temas marcantes. Analisar cada produção do cineasta renderia um vasto estudo antropológico. 


Mortos-vivos sabem ser engraçados

Depois do papo sério sobre a sociedade, nada melhor que algumas sátiras para relaxar. A primeira que fez grande sucesso foi A Volta dos Mortos Vivos, de 1985, que brinca com a realidade ao afirmar que o clássico A Noite dos Mortos Vivos foi baseado em fatos reais, mais precisamente sobre um acidente no hospital da cidade americana Pittsburgh, em que diversos soldados norte-americanos teriam sido contaminados.

A Volta dos Mortos Vivos marca a primeira fala de um zumbi nos cinemas, foi aqui que surgiu a famosa expressão: Braaaains!!! Dita pelos mortos-vivos que se alimentam de cérebro humano (diferente dos zumbis de Romero que comem qualquer parte do corpo). O filme teve quatro sequências, mas nenhuma emplacou como a original.

Outra curiosidade fica por conta do diretor Peter Jackson, o mesmo da saga O Senhor dos Anéis, foi o responsável por um dos maiores clássicos do gênero: Fome Animal, de 1992. Muito sangue e cenas bem nojentas fazem se misturam com risadas neste filme.

Os filmes de zumbis mais recentes ganharam grande força junto ao público justamente por seu tom de comédia. Passeando pelo mundo inteiro, cada filme aproveita o tom satírico para dar uma cutucada em diferentes formas de governo.


Todo Mundo Quase Morto abusa do humor inglês para transformar um fracassado em herói na terra da rainha. Juan de Los Muertos ataca o governo cubano enquanto o protagonista transforma a luta pela sobrevivência. E o que dizer sobre Zumbis na Neve? Longa norueguês que brinca com o Hitler e seu exército de zumbis nazistas, além de fazer inúmeras piadinhas sobre orgãos sexuais e "ameaças" comunistas.

Para agradar ao público masculino, que tal mulheres gostosas fazendo striptease? Mesmo se elas forem zumbis? Este é basicamente o enredo do divertido filme As Strippers Zumbis, que ao lado de Planeta Terror, assinado por Robert Rodriguez, são os queridinhos de nove a cada dez homens fãs do gênero. Outros longas de zumbis também flertam com a comédia, mas de forma mais leve, sem cair no gênero trash, como é o caso de Zumbilândia. Mexendo com a emoção dos aficionados por mortos-vivos, Fido – O Mascote faz você torcer – e muito – para o protagonista zumbi e ainda desejar ter um igualzinho em casa.


O Futuro dos Zumbis no Cinema

Ao que tudo indica, essa febre de zumbis ainda vai durar um bom tempo. Nos cinemas, World War Z, que estreia em junho de 2013 no Brasil, traz Brad Pitt combatendo mortos-vivos. Outra produção de destaque é Orgulho e Preconceito e Zumbis, baseado no best-seller homônimo, o longa passa por alguns problemas de produção, mas torcemos para que ele saia do papel. O game Dead Island também deve ganhar sua versão cinematográfica. E pensando no público adolescente, temos Sangue Quente, longa do mesmo estúdio da Saga Crepúsculo, que narra a história de um zumbi que se apaixona por uma humana, detalhe que a produção tem o experiente John Malkovich no elenco. O que será que vai sair disso?

Extraído: Cineclick

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